VIAJANTE DAS ESTRELAS
Publicado em: Brasília, 1 de julho de 2009

Na aurora dos tempos, os olhos do homem já buscavam nas estrelas as respostas para os mistérios da vida. Nos céus, o homem viu a manifestação dos deuses e também seu maior desafio.

Na Grécia antiga, astronomia e matemática já caminhavam lado a lado. Eudoxo, no século 4 a.C., desenvolveu um modelo geométrico de três dimensões representando o movimento dos planetas. Aristarco de Samos, no século seguinte, contestava o geocentrismo de Aristóteles propondo uma teoria heliocêntrica, onde o Sol (Helios) era o centro com os planetas orbitando em sua volta.

Mas foi o matemático e astrônomo Galileu quem deu o salto que aproximou os astros aos olhos do homem. Nascido na cidade de Pisa, na Itália, em 15 de fevereiro de 1564, Galileu era o primeiro dos sete filhos do músico Vincenzo Galilei. Galileu iniciou sua vida acadêmica estudando medicina a pedido do pai, mas o fascínio pela física e matemática logo mudaram o rumo de sua vida. Para desgosto paterno, o jovem Galileu abandona a medicina e mergulha no mundo da matemática. Em pouco tempo ja ensinava na universidade de Pisa e logo depois em Pádua.

Em 1609, ao receber uma carta de um ex-aluno que relatava a invenção de um instrumento ótico capaz de visualizar objetos a distância, Galileu começou a investigar e criou a própria versão do telescópio. O primeiro modelo tinha capacidade de ampliar apenas oito vezes os objetos focados, mas permitiu que fossem dados os primeiros passos na astronomia moderna. No final do mesmo ano, o astrônomo desenvolveu uma versão capaz de ampliar 20 vezes. Com este aparelho, Galileu comprovou que a lua não era um astro perfeito, como afirmavam as teorias aristotélicas vigentes na época, mas possuía a superfície formada por crateras, montanhas e vales. Observou também que Vênus passava por fases como a Lua e que na superfície do Sol existiam manchas e que Saturno tinha estranhos apêndices. Em 1610 ao observar o planeta Júpiter, percebeu que havia corpos planetários em sua órbita. As quatro luas descobertas pelo astrônomo (Lo, Europa, Calisto e Ganimedes) foram denominadas satélites galileanos em sua homenagem. Estudando a relação dos satélites com o planeta gigante, Galileu percebeu que a Terra não era o centro do universo, como pregava a teoria teocêntrica de Aristóteles, adotada pela cosmologia católica, mas sim mais um astro orbitando ao redor do Sol. Em 1633, ao defender publicamente a teoria heliocêntrica, Galileu enfureceu a cúpula fundamentalista da Igreja, que considerava tal visão de mundo uma grave blasfêmia. Acabou julgado e condenado por um tribunal do Santo Ofício. Obrigado a rechaçar e demonizar em público suas descobertas, o pai da astronomia teve suas obras proibidas e foi sentenciado ainda a prisão domiciliar nos arredores de Florença, onde morreu, já cego de doente, em 1642.

PARA LEIGOS
Encantados pelo céu. Não são poucas as pessoas que gostariam de ter um aparelho que dê uma visão mais clara dos astros. Para os curiosos de plantão, o coordenador do curso de astronomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Renato Las Casas, dá algumas dicas interessantes.

Um binóculo astronômico, 7 x50mm (7 significa o número de vezes que o objeto será ampliado e 50mm é a abertura da objetiva, lente principal do aparelho), é um instrumento que garante uma ótima observação do céu para os iniciantes e amadores. Além disso, custa em média R$ 300,00, enquanto um telescópio dos mais simples custa R$ 1 mil.
Se a intenção for de fato adquirir um telescópio, é importante ter em mente que existem aparelhos mais indicados para se observar luas, planetas e objetos brilhantes e outros que garantem detalhamento de galáxias e nebulosas.

Para visitar em Minas Gerais
Observatório Astronômico Frei Rosário, da UFMG, na Serra da Piedade
Aberto ao público no primeiro sábado do mês, possui um telescópio de alta potência
Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, no Bairro do Horto, em Belo Horizonte
Observação todas as quartas-feiras de lua crescente
Laboratório Nacional de Astronomia (LNA), em Brasópolis, Sul de Minas Gerais
Observatório da Escola de Minas de Ouro Preto
Observatório de Viçosa
Observatório do Alto Caparaó, próximo ao Pico da Bandeira