Os dados ambientais são informações de fundamental importância para a previsão meteorológica, o monitoramento de recursos hídricos e de qualidade das águas, a agricultura de precisão, a prevenção de desastres naturais e diversas outras aplicações. São geralmente relacionados ao clima e às condições de precipitação, temperatura e umidade do ar, temperatura dos oceanos, extensão de gelo no mar, condições do solo, da vegetação e de recursos florestais, concentração de gases do efeito estufa, dentre outros.

Dados ambientais podem ser coletados através de plataformas de coleta de dados (PCD), que são estações equipadas com diferentes sensores capazes de captar os dados em campo e transmiti-los a estações centrais de processamento por meio de telemetria – fazendo uso de satélites de coleta de dados ou outras tecnologias como o General Packet Radio Service (GPRS).

As plataformas de coleta de dados viabilizam uma alta resolução temporal, que, no entanto, fica limitada à resolução temporal dos satélites, quando não geoestacionários, e também à quantidade de estações de recepção e sua localização geográfica. Já no caso da tecnologia GPRS, a resolução temporal pode ser afetada pelas condições meteorológicas da região.

A coleta de dados ambientais também pode ocorrer por intermédio do sensoriamento remoto orbital. A evolução das tecnologias espaciais tem permitido um grande avanço na capacidade de investigação e observação da dinâmica de recursos e fenômenos naturais em nosso planeta, particularmente com o uso de imagens multiespectrais registradas por satélites.

Informações de sensoriamento remoto têm-se mostrado úteis para o levantamento de dados ambientais devido a diversos aspectos, tais como a visão sinótica e a revisita, que permitem a coleta de informações em diferentes épocas do ano e a geração de séries históricas; a resolução espectral, que permite a obtenção de informações sobre um alvo na natureza em distintas regiões do espectro; e a resolução espacial, que possibilita a obtenção de informações em diferentes escalas, desde globais até locais.

Sistema Brasileiro de Coleta de Dados

O Brasil dispõe de um sistema de coleta de dados ambientais por satélite construído e operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), desde a década de 90. O Sistema de Satélites de Coleta de Dados (SCD) conta com a operação de dois satélites brasileiros específicos para coleta de dados meteorológicos da série SCD (SCD-1 e SCD-2).

Scd-1

SCD-1

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBDA) é constituído ainda pelo satélite CBERS-4, por redes de plataformas de coleta de dados espalhadas pelo território nacional, pelas Estações de Recepção de Cuiabá (MT) e de Alcântara (MA) e por um Centro de Missão que processa e repassa os dados aos seus usuários, conhecido como Sistema Integrado de Dados Ambientais (SINDA).

As funções básicas do SBDA são coleta de dados ambientais, processamento, armazenamento e disseminação de dados para instituições nacionais governamentais, do setor privado e para os cidadãos em geral. Os dados coletados são de interesse cientifico, ou de monitoramento e proteção ambiental, ajudando no desenvolvimento de aplicações e pesquisas nas mais diversas áreas, tais como previsão do tempo, estudos sobre correntes oceânicas, marés, química da atmosfera, planejamento agrícola, monitoramento das bacias hidrográficas, entre outras.

 

Sistema Integrado de Dados Ambientais – SINDA

Constitui o Centro de Missão Coleta de Dados (CMCD) com a função de processamento, armazenamento e disseminação para os usuários dos dados coletados remotamente pelas PCDs.

O SINDA tem como principais atribuições: o cadastro de PCDs e usuários, tratamento, armazenamento e distribuição para os usuários dos dados de PCDs; manutenção da base de dados históricos; gerência dos IDs (números de identificação) de PCDs em conformidade com os planos estabelecidos em consonância com o Sistema ARGOS; gerenciamento das redes de plataformas de coleta de dados e interface com os usuários, bem como o apoio na especificação para aquisição de novas PCDs e demais atividades de processamento específico a pedido dos usuários.

 

Aplicações dos dados ambientais

As aplicações potenciais, já utilizadas ou em curso para os dados ambientais levantados podem ser descritas pelos seguintes tópicos:

  • Hidrologia (Agência Nacional de Águas – ANA, Sistema de Vigilância da Amazônia – SIVAM);
  • Meteorologia (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC, Instituto Nacional de Meteorologia – INMET, núcleos estaduais de meteorologia);
  • Oceanografia (boias de deriva, boias ancoradas) (Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN, Petrobrás);
  • Química da atmosfera;
  • Qualidade d´água (comitês de bacias hidrográficas, prefeituras, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB e órgãos de gestão e fiscalização de recursos hídricos e meio ambiente);
  • Defesa Civil (sistemas de alerta hidrológico);
  • Monitoração de nível de reservatórios de usinas hidrelétricas (Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL);
  • Rede Maregráfica;
  • Engenharia e testes (fornecedores de plataformas);
  • Pesquisa científica;
  • Educação e treinamento;
  • Transmissão e geração de energia elétrica (geradoras e distribuidoras de energia elétrica);
  • Monitoramento ambiental (dados auxiliares para determinação do risco de fogo no projeto de Detecção de Queimadas em Florestas);
  • Monitoramento de Embarcações de Pesca (“Vessel Monitoring System”) (Secretaria Especial da Aquicultura e Pesca – SEAP);
  • Rastreio de Animais (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, Institutos de Pesquisa e Universidades);
  • Defesa Civil (monitoramento de encostas e sistemas de alerta);
  • Monitoramento de cargas sensíveis/transporte;
  • Monitoramento Ambiental (aperfeiçoamento do Cálculo do Risco de Fogo com uso de sensores de flamabilidade – “fuel sensor”).