Agência Espacial Brasileira -Últimas Notícias Notícias da Agência Espacial http://www.aeb.gov.br/ pt-br <![CDATA[Um mineiro na Nasa]]>
Usando o termo da Nasa, o estudante atuou como um "consultor". "Eles entendem que, para ser estagiário, seria necessário alguém me orientando e explicando as coisas. E isso não ocorre. Uma pessoa dizia em 10 minutos o que queria e eu tinha de encontrar uma solução, sem falhas, e me virar sozinho", relata. O lema da equipe, impresso no cordão do crachá do universitário mineiro, mostra o tamanho da cobrança e o que deve ser seguido à risca: "O fracasso não é uma opção".

Flávio trabalhou em três projetos. O primeiro foi o desenvolvimento de um programa que compara as condições do coração do astronauta antes e depois de ir ao espaço. São analisados dados como batimentos, frequência e pressão. O outro foi na área de metabolismo cerebral. Mas, o mais importante revolucionou as técnicas de processamento de dados da agência espacial. Ele criou um software de decodificação dos dados cardíacos, que diminui de 30 minutos para 108 segundos o tempo de conversão de cada arquivo. "Eram gastos meses para a tarefa, pois são milhares de arquivos e mais de 600 gravações de sinais cardíacos. Com esse programa, conseguimos terminar tudo o que estava pendente", afirmou.

O feito teve reconhecimento. "Eles só me elogiaram quando estava vindo embora e deixaram as portas abertas para voltar com uma equipe. Pensaram que se um estagiário conseguiu fazer, mais gente será ainda melhor" relata. Mas, antes de receber as glórias, Flávio percorreu um longo caminho. A ideia de tentar uma vaga na Nasa surgiu num estágio que fez na Inglaterra, depois de um intercâmbio pela UFMG, em Portugal, em desenvolvimento de programas para engenharia biomédica e análise de metabolismo cerebral. No Reino Unido, o estudante recebeu uma carta de recomendação e a enviou para um professor que trabalha na Nasa, autor da maioria dos artigos que leu sobre o tema.

Ao fim de seis meses de troca de e-mails, finalmente, em novembro do ano passado, veio a confirmação: as malas deveriam estar prontas para o mês seguinte. O investimento foi todo custeado pela empresa de engenharia na qual Flávio faz estágio no Brasil. "A parte mais difícil foram os primeiros dias, quando me disseram que o que eu havia desenvolvido na Inglaterra eles já tinham há 50 anos e, o que não tinham, podiam comprar. Portanto, eu teria de ser inovador. Tive vontade de voltar para casa", recorda-se.

SORTE E MODÉSTIA O estudante, cuja família é de Sete Lagoas, na Região Central de Minas, atribui a conquista à sorte e à base que teve na universidade. "Sou um aluno mediano. Se não fossem meus amigos para me ajudar a estudar e a tirar minhas dúvidas, não conseguiria nem ser aprovado na faculdade, porque o curso é muito apertado", diz. A experiência vale até um recado aos colegas: "Temos uma formação muito competitiva".

Voltar ao centro espacial não está nos planos do jovem, que agora só pensa na monografia. Ele quer desenvolver um programa de computador para avaliar a condição cardíaca da população e, com os dados, avaliar as chances de morte nos anos seguintes. A ideia é aplicar a técnica em hospitais. No futuro, talvez valha mais uma vista, mas para exportação de tecnologia brasileira. Por enquanto, morar definitivamente nos Estados Unidos é uma opção a ser pensada. E bastante. Com modéstia, ele resume a experiência: "O que fiz tanto na Inglaterra quanto na Nasa foi nada demais, apenas o que aprendi em sala de aula."







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10-03-2010
<![CDATA[Brasileira gerencia projeto para levar outro robô a Marte]]>
O robô e astronauta é a esperança de descobertas importantes no planeta, onde já estão outros dois similares em busca de material e informações para auxiliar as equipes de pesquisadores da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa). “Vamos utilizar esse robô como se fosse um geólogo para estudar as pedras e a composição do planeta. Sempre à procura da água para verificar se existe possibilidade de vida em Marte”, explica.

A carioca Jaqueline Lyra, 48 anos, trabalha na Nasa há 20 anos. Saiu do Brasil, em 1981, para fazer Faculdade de Engenharia Espacial nos Estados Unidos. A cientista conta que não tinha espaço para mulheres nesta área. “Na época, o campo de aeroespacial só tinha no Instituto Militar de Engenharia (IME) e no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde só podia entrar homens, então, eu não tinha como seguir essa profissão no Brasil”, justifica.

No exterior, Jackie, como é conhecida pelos colegas de equipe, afirma não haver desigualdade no tratamento. “Realmente, não tive nenhuma dificuldade no trabalho por ser mulher. Talvez por sorte ou não. As pessoas na Nasa são respeitadas pelo que fazem. Se fizer um bom trabalho, garante o emprego e a carreira”, diz. Hoje, dos oito cientistas brasileiros que trabalham na Nasa, quatro são mulheres.

Jaqueline ficou conhecida na mídia nacional em 1997 quando usou a música Coisinha do Pai, de Beth Carvalho, para acionar o Pathfinder, um dos robôs em Marte. “É tradição na Nasa acordar os astronautas com uma música, a nossa equipe resolveu fazer isso também com os robôs. Como estou sempre escutando músicas antigas do Brasil, achei que o samba era bem apropriada por dizer você vale ouro, coisinha tão bonitinha”.

O novo robô da Nasa é maior e mais equipado. De acordo com Jaqueline, o lançamento está previsto para 2011 e a chegada em Marte para 2012. “Os que estão lá já fazem o trabalho e estão em locais diferentes. Esse agora tem o tamanho de um carro pequeno e levará por volta de 10 instrumentos científicos para estudar Marte”, informa.







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08-03-2010
<![CDATA[Agência espacial designa membros de comitê para programa de chuvas]]>
Desde 2004, a AEB coordena a participação brasileira no programa. O GPM-Br tem como objetivo coordenar a atuação de instituições brasileiras no GPM e estimular o uso dos dados disponibilizados. Sua estrutura é formada por um Comitê de Coordenação, uma Gerência, Instituições Participantes, Assessores e Usuários. O GPM-Br é constituído de representantes de diversas instituições de pesquisa atuantes na área, para assessorar a AEB na consolidação das atividades pertinentes à participação brasileira na missão.

Além de designar novos membros para o Comitê de Coordenação do GPM-Br, portaria publicada pela AEB no Diário Oficial desta quarta-feira, dia 3, nomeou como gerente do programa Carlos Eduardo Quintanilha Vaz de Oliveira, chefe de Divisão da agência espacial, tendo como substituta Gisele Imbuzeiro Camargo. Veja a nova composição do Comitê de Coordenação:

Representantes da AEB: Thyrso Villela Neto, diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento, titular; e Celso Deusdeti Costa, Coordenador de Satélites e Aplicações, suplente.

Representantes do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos
(Cptec) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe): Luis Augusto Toledo Machado, titular; e Carlos Frederico de Angelis, suplente.

Representantes da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (Embrapa): Eduardo Delgado Assad, titular; e Edson Sano, suplente.

Representantes do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP): Carlos Augusto Morales Rodriguez, titular; e Augusto José Pereira Filho, suplente.

Representantes do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet): Alaor Moacyr Dall´Antonia Junior, titular; e Kleber Renato Ataíde, suplente.

Representantes da Agência Nacional de Águas (ANA): Dalvino Troccoli Franca, titular; e Valdemar Santos Guimarães, suplente.






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04-03-2010
<![CDATA[ Primeiro satélite universitário será lançado em 2012]]>
O Itasat está inserido no Plano Plurianual de Desenvolvimento e Lançamento de Satélites Tecnológicos de Pequeno Porte (PPA), destinado a promover a capacitação brasileira para atender a demanda pelas futuras gerações de micro e nanossatélites. A coordenação geral do projeto é feita pela AEB, tendo o ITA como responsável pela execução do projeto e o Inpe como provedor de consultoria técnica, de infraestrutura laboratorial e gestão financeira.

Segundo o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da AEB, Thyrso Villela, o Itasat tem como missão principal a formação de especialistas na área de engenharia aeroespacial, com o desenvolvimento de novas tecnologias para o setor. "O primeiro satélite vai levar a bordo um transponder digital, que vai receber e transmitir informações, coletadas da rede de plataformas brasileira e utilizadas hoje na previsão de tempo", diz Villela.

A rede brasileira de Plataforma de Coleta de Dados (PCDs) é formada por mais de 800 estações, espalhadas por todo o território. Elas coletam, armazenam e transmitem, automaticamente, medidas de variáveis meteorológicas e ambientais, realizadas a cada hora e armazenadas na memória da PCD. A transmissão dos dados é feita via satélite, a cada três horas.

O Itasat conta com a participação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de Brasília (UNB), e da Technical University of Berlin. Em 2009 o Itasat envolveu 32 alunos de graduação, 23 de mestrado e cinco de doutorado.

Atualmente, 120 microssatélites universitários de cunho tecnológico são lançados por ano no mundo e apenas 15 países trabalham com esse tipo de projeto. "O Itasat é um projeto que estimula a participação das universidades no esforço nacional de desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro", ressalta Villela.






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04-03-2010
<![CDATA[Começa o curso de Engenharia Aeroespacial do ITA]]>
O primeiro passo neste sentido foi dado pelo então presidente da AEB, Sérgio Gaudenzi que, em 2006, ministrou a aula inaugural do ITA com o tema “Programa Espacial Brasileiro” e, ao concluir sua palestra, solicitou ao Reitor do Instituto, Reginaldo dos Santos, que avaliasse a necessidade de formar engenheiros também na área espacial. A partir daí estudos foram realizados com a participação de representantes dos diversos Institutos do DCTA e do Inpe, resultando em uma proposta aprovada pelo Comandante da Aeronáutica e que levou à criação do curso de Graduação em Engenharia Aeroespacial do ITA, em 1º de fevereiro de 2010 (Portaria Nº 52/GC3).

A estrutura do curso está relacionada a áreas críticas do PNAE identificadas por Navegação e Guiamento, Propulsão e Aerodinâmica, e Eletrônica para Aplicações Espaciais. Os temas comuns abordados são: Propulsão básica, Aerodinâmica básica, Telecomunicação básica, Navegação e Guiamento Básico, Estruturas, Materiais e processos, Engenharia de sistemas, Gestão e garantia do produto, Campos de lançamento e rastreio, Dinâmica do vôo e orbital, Computação, Ensaios e Sistemas elétricos.

Ocupam as dez vagas disponibilizadas para esta primeira turma, alunos selecionados entre aqueles aprovados para o 3º ano de graduação e que, voluntariamente, optaram por migrar das outras modalidades de Engenharia oferecidas pelo Instituto.








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03-03-2010
<![CDATA[Campanha científica em Alcântara irá aperfeiçoar modelos de previsão de chuva]]>
O experimento, previsto para encerrar no dia 20 de março, faz parte do programa internacional Global Precipitation Measurement (GPM; em português, Medidas Globais de Precipitação), liderado pelas agências espaciais dos Estados Unidos (Nasa) e do Japão (Jaxa). Instituições de pesquisa do País colaboram com o GPM-Brasil (http://http://www.aeb.gov.br/mini.php?secao=gpm), lançado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), em 2004, para fomentar a participação brasileira no programa que visa compreender o papel das chuvas em nível global.

Alcântara (MA) foi escolhida pela facilidade logística do CLA, mas também porque grande parte da precipitação na região está relacionada à formação de nuvens quentes, isto é, sem formação de gelo. A expectativa é de que a melhor compreensão deste regime de chuva resultará no aperfeiçoamento dos modelos de precipitação com dados obtidos por satélites em operação e também por aqueles que farão parte do GPM.

A campanha tem o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e organização do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). A coordenação científica está sob a responsabilidade do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mais de 50 especialistas participam do experimento, entre técnicos e pesquisadores.

Entre as instituições estrangeiras, participam da campanha a Nasa, Colorado State University, dos Estados Unidos e a University of Bonn, da Alemanha. Do lado brasileiro, além do Inpe e DCTA, participam o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da USP, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Instituto Tecnológico SIMEPAR, Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME).

Os resultados preliminares da campanha serão apresentados em junho deste ano em Helsinque, na Finlândia, no Workshop Global Precipitation Measurement (GPM) Ground Validation (Validação de Solo). Os dados coletados serão discutidos com o intuito de validar medidas de instrumentos que serão levados a bordo dos satélites do programa GPM. O projeto prevê sete satélites. Está em análise pela AEB a possibilidade de o Brasil participar do programa com o desenvolvimento de um satélite, com uso da Plataforma Multimissão (PMM), projeto do Inpe.

Durante a campanha, serão utilizados os seguintes instrumentos: um radar polarimétrico, do CLA, para medidas de precipitação e de estrutura de nuvens; um avião Bandeirante, da UECE, para dados sobre gotas de nuvens; um micro-radar e um radiômetro avançado de microondas, ADMIRARI, da University of Bonn, radiômetros de microondas passivo, radar de laser LIDAR, GPS, do Inpe, e disdrômetros (para distribuição do tamanho das gotas de chuva), da Nasa, para compreender a micro-física das nuvens.











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02-03-2010
<![CDATA[Solenidade marca 27 anos do Centro de Lançamento de Alcântara]]>
Concebido no início da década de 1980, como um dos três segmentos da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), o CLA foi instalado em uma área de 620 km², situado a 408 km de São Luís. O objetivo inicial era permitir o lançamento, a partir do território brasileiro, de um satélite nacional, levado por um foguete também desenvolvido e produzido no país. A primeira operação de lançamento no CLA ocorreu em dezembro de 1989, na "Operação Pioneira", onde foram lançados quinze foguetes SBAT-70 e 2 SBAT-152.

O CLA foi o segundo centro de lançamento de foguetes instalado no país. O primeiro foi o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado em Parnamirim (RN). Devido ao crescimento urbano nos arredores do CLBI, que não permitiram ampliações do centro de lançamento, o CLA foi concebido, a partir do Decreto Federal nº 88.136/83, para realizar missões de lançamentos de satélites e sediar testes do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Sua posição estratégica - a 2°18 de latitude ao sul, bem próximo à linha do Equador - permitem lançamentos de foguetes com baixo consumo de combustível.

Em outubro de 2003, a assinatura de um tratado de cooperação entre o Brasil e a Ucrânia iniciou os preparativos para o lançamento do Cyclone-4, veículo espacial ucraniano, no CLA. Da parceria entre os dois países, foi criada a empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), responsável pela comercialização e operação de serviços de lançamento no Maranhão.








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02-03-2010
<![CDATA[Encontro de empresas do setor aeroespacial brasileiro e belga no Inpe]]>
A atividade contará com a participação de representantes de 12 empresas nacionais e 10 empresas belgas, as quais farão uma breve apresentação de suas atividades. Já nos dias dias 2 e 3 serão realizadas visitas individuais às empresas da região do Vale do Paraíba, organizadas pela Embaixada da Bélgica no Brasil.

“O Programa Espacial Brasileiro gera inovação e tecnologia para o parque industrial nacional, o que se traduz na geração de empregos de conteúdo técnico e de alto valor agregado nos produtos”, destaca o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, Himilcon Carvalho. “O evento é importante por abrir, para o setor industrial brasileiro ligado à atividade espacial, perspectivas de novos mercados, em especial, o Europeu, em decorrência das parcerias empresariais que poderão ser estabelecidas", completa.

Estão confirmadas também as presenças do diretor do Inpe, Gilberto Câmara; do diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência, Thyrso Villela; do embaixador da Bélgica no Brasil, Claude Misson e do diretor da Belgospace, Dany Van de Ven.




Serviço

Encontro de Empresas do Setor Aeroespacial Brasil-Bélgica

Data: 1º de março

Horário: 9h

Local: Auditório Sérgio Sobral de Oliveira – Inpe - São José dos Campos (SP)








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26-02-2010
<![CDATA[CLBI lança Foguetes de Treinamento Básico]]>
“O lançamento foi um sucesso”, resumiu Ganem. Na ocasião, o dirigente enfatizou a importância da atividade das Forças Armadas e dos institutos parceiros do Programa Espacial Brasileiro. “É preciso manter essas operações durante todo o ano, pois contribuem para capacitar os institutos e centros com vistas ao aprimoramento”, disse.

O objetivo dessa atividade é lançar e rastrear os foguetes, com telemetria, sem carga útil tecnológica. Além disso, permite o treinamento operacional das equipes de logística, telecomunicações, preparação, integração, montagem, lançamento, rastreio, segurança, coleta e tratamento de dados. A Operação Barreira I-FTB foi realizada sob direção do tenente-coronel Aviador Luiz Guilherme de Silveira de Medeiros e do capitão-aviador Clóvis Martins de Souza.

O CLBI participou, em 2009, de quatro lançamentos desse tipo: dois em São Luís (MA) e dois em Parnamirim (RN). Todos alcançaram o resultado esperado que foi garantir a qualificação técnica dos recursos humanos e a manutenção dos meios operacionais necessários às atividades do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae). Além da preocupação de manter a excelência técnica do efetivo do Centro, a campanha mantém a operacionalidade dos equipamentos para futuros lançamentos de foguetes de maior porte.








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25-02-2010
<![CDATA[Barreira retoma atividades de lançamentos de foguetes]]>
A campanha está sendo realizada no Centro até sexta-feira (26), denonimada Operação Barreira I- FTB, sob a direção do tenente coronel aviador Luiz Guilherme de Silveira de Medeiros e do capitão aviador Clóvis Martins de Souza. Permitirá exercitar toda a estrutura de coordenação, além de validar os procedimentos e de garantir o treinamento das equipes nas áreas de logística, telecomunicações, preparação, integração, montagem, lançamento, rastreio, segurança de vôo, segurança de superfície, coleta e tratamento de dados.

O objetivo de se realizar esta operação é lançar e rastrear Foguete de Treinamento Básico (FTB), com telemetria, sem carga útil tecnológica, tendo como finalidade o treinamento operacional do CLBI, que proporcionará aos pesquisadores e engenheiros que participam do Programa Espacial Brasileiro manter a condição ideal do Centro sempre pronto para o cumprimento da sua missão, seja para os lançamentos de interesse da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Comando da Aeronáutica.

O CLBI participou, em 2009, de quatro lançamentos deste tipo: dois em São Luís (MA) e dois em Parnamirim (RN), os quais alcançaram o resultado esperado que foi garantir a qualificação técnica dos recursos humanos e a manutenção dos meios operacionais necessários às atividades do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae).

Além da preocupação de manter a excelência técnica do efetivo do Centro, a campanha mantém a operacionalidade dos equipamentos para futuros lançamentos de foguetes de maior porte.






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25-02-2010
<![CDATA[Carlos Ganem participa de audiência pública no Senado]]> As atividades tiveram início às 9h e foram conduzidas pelo vice-presidente da Comissão, senador Lobão Filho (PMDB-MA). O requerimento da audiência, que também contou com a participação do diretor-geral brasileiro da empresa ACS, Roberto Amaral, foi de autoria do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).
Ganem ressaltou ainda a estratégia do Brasil de ter domínio sobre seu território, incluindo atividades como o controle do tráfego aéreo, telecomunicações, meteorologia, pesquisa, entre outras. “Nosso país precisa decidir se vai cuidar de si próprio ou se vai ceder o controle do seu espaço aéreo para outros países. Essa é uma decisão crucial e terá que ser enfrentada”, disse o presidente da AEB.
Já o diretor-geral brasileiro da empresa ACS, Roberto Amaral, comentou a falta de compreensão dos órgãos da administração pública que impõem obstáculos ao Programa Espacial Brasileiro, particularmente, a instalação do sítio de lançamento da ACS, no município de Alcântara, no estado do Maranhão. “Nosso esforço diário, repetitivo e permanente é para enfrentar os óbices da burocracia, da incompreensão dos próprios organismos estatais que emperram as iniciativas”, concluiu.






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24-02-2010
<![CDATA[Experimentos sobre dados meteorológicos no CLA]]>
O projeto GPM prevê uma constelação de satélites desenvolvidos pelas agências espaciais dos Estados Unidos (Nasa), Japão (Jaxa) e Europa (ESA). O Brasil participará com um dos satélites, que utilizará a Plataforma Multimissão, e poderá ter participação francesa em um dos instrumentos científicos a  bordo.

Cabe à Agência Espacial Brasileira (AEB) coordenar as atividades do Chuva, assegurar livre acesso aos dados coletados, manter um responsável por receber e avaliar os dados e, ao final, elaborar um relatório técnico. A participação brasileira como protagonistas do programa no experimento é importante pelo conjunto de dados o país receberá ter quando a constelação estiver em órbita.

Há chuvas constantes em Alcântara nesta época do ano e as nuvens da cidade são de topo quente (com temperaturas até 0º Celcius), por isso foi escolhida para os experimentos. As nuvens de topo frio (Com temperaturas até – 70º C)não são estudadas no experimento por serem de mais fácil acesso e já existirem dados sobre elas.







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24-02-2010
<![CDATA[Participação brasileira no Copuos]]> Por clima espacial entende-se a conexão entre os fenômenos solares (tais como ejeções de massa coronal e explosões) e a magnetosfera e ionosfera terrestres. As explosões solares liberam grandes quantidades de partículas que podem provocar falhas em satélites, linhas de transmissão elétrica e riscos para a vida humana. Há até uma suspeita de que interfira nas mudanças climáticas. Uma explosão com a mesma intensidade da primeira explosão documentada, em 1856, causaria, hoje, a perda de aproximadamente 30 bilhões de dólares em termos de falhas de satélites em operação. Daí a importância de se monitorar e, se possível, prever o comportamento da nossa estrela.
Com relação à sustentabilidade das atividades espaciais, a preocupação é com a segurança das operações no espaço. Cada vez mais a economia e a política globais dependem de meios espaciais. Mas a quantidade crescente de satélites em órbita da Terra e o aumento da quantidade de lixo espacial exigem medidas urgentes de coordenação entre as agências e países lançadores. Vários assuntos estão relacionados: clima espacial, uso eficiente de frequências e posições orbitais para telecomunicações, coordenação e intercâmbio de informações entre operadores de satélites, ou seja, coordenação de tráfego espacial, como já ocorre com a aeronáutica civil, e redução da quantidade de lixo em órbita, por exemplo.
“O grande desafio do novo grupo de trabalho, criado para se dedicar ao assunto da sustentabilidade, será o de integrar os estudos e atividades de outros organismos que já se ocupam dos temas citados e criar uma base de informações, alertas e recomendações úteis para todos os países que desenvolvem atividades espaciais” diz Himilcon Carvalho, diretor de política espacial da Agência Espacial Brasileira (AEB), presente à reunião.
O Comitê para Usos Pacíficos do Espaço Exterior (Copuos), das Nações Unidas, foi criado em 1959, com 24 Estados membros, para promover a cooperação internacional no uso pacífico do espaço. Hoje, com 69 Estados participantes e um grande número de organizações observadoras, trata de problemas e assuntos difíceis de imaginar à época de sua criação.
A agenda de discussões é formada por temas que requere m uma coordenação global, tais como, gerenciamento de desastres, diretrizes para limitação da quantidade de dejetos espaciais, regras para o uso de fontes nucleares no espaço e defesa contra objetos espaciais (asteróides e cometas) cujas trajetórias apresentem risco de impacto sobre a Terra.








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19-02-2010
<![CDATA[Os avanços não foram poucos]]>
Criada pela Lei nº 8.854, de 10 de fevereiro de 1994, a Agência Espacial Brasileira (AEB) é uma autarquia civil vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), responsável pela formulação e coordenação da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais, promovendo, inclusive, o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), o qual tem suas atividades levadas a efeito por outras instituições.

Desde março de 2008, a presidência da AEB é ocupada por Carlos Ganem, economista, advogado e administrador de empresas, com MBA pela COPPEAD/UFRJ. Antes de assumir a seu atual cargo, Ganem ocupou posições executivas em diversas empresas públicas e privadas como a Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP/MCT, onde ingressou em 1982 passando por diversas funções até chegar a superintendente de Articulação Institucional. Sua experiência é bastante expressiva, tendo trabalhado ainda como consultor de várias agências internacionais como BID, UNIDO, FAO e PNUD em diferentes oportunidades. Especialista em exportação de serviços de engenharia, função executada na Interbrás-Petrobrás Comércio Internacional, foi também dirigente do CEBRAE, entidade de apoio às pequenas e médias empresas, da qual foi o primeiro funcionário e redator de seus estatutos.

Para este Suplemento Espacial sobre os interesses brasileiros na área espacial, Tecnologia & Defesa convidou o presidente da AEB para a entrevista a seguir.

Tecnologia & Defesa - Quais são os principais projetos do Programa Espacial Brasileiro nas áreas de satélites e lançadores?

Carlos Ganem - Os principais projetos são aqueles que definem o Plano de Ações de C&T (PACTI) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT): os satélites CBERS e os baseados na Plataforma Multimissão (PMM), como por exemplo o Amazônia-1, o Veículo Lançador de Satélites (VLS) e a reconstrução de sua Torre Móvel de Integração (TMI) e a complementação da infraestrutura do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) para início da operação da empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS). Além dos projetos do PACTI/ MCT, entra nesta lista o Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB).

Esses projetos formam a espinha dorsal do Programa Espacial, seja pela sua importância estratégica e domínio tecnológico exigido, seja pela importância das parcerias internacionais envolvidas.

T&D - O senhor está na presidência da AEB há cerca de dois anos. Que avaliação faz de sua gestão até o momento?

Carlos Ganem - Desde 2008, pude identificar os pontos e problemas críticos que atrasam e “travam” os projetos prioritários do Programa Espacial e buscar soluções para seu encaminhamento.

Assim, por exemplo, projetos que estavam parados, como o do Satélite Geoestacionário Brasileiro, foram reativados. Outro projeto que ganhou novo impulso foi o da Plataforma Multimissão, que terá seu subsistema de controle de atitude finalmente desenvolvido graças ao acordo entre a AEB e a Comissão Nacional de Atividades Espaciais – Argentina. Da mesma forma, a AEB deu prioridade à continuidade do VLS e propicia a retomada dos testes de motores, ao mesmo tempo em que os recursos para a reconstrução da TMI foram mantidos na conta vinculada à Finep respondem pela execução da obra no CLA.

A complementação do CLA e a implantação da empresa ACS são prioridades máximas da minha gestão e, nesse contexto, consideramos que a AEB tem cumprido seu papel de representante do lado brasileiro do Tratado Brasil-Ucrânia, com suas obrigações e como autoridade responsável, junto com a Agência Espacial Ucraniana (NSAU) em busca de soluções para os problemas que, inevitavelmente, surgem neste tipo de empreendimento internacional.

Fortaleci os laços com os institutos executores do programa (INPE/MCT e DCTA/ComAER/MD) e com a indústria nacional, com o entendimento de que o Programa Espacial deve ser indutor de inovação, bons negócios e de geração de empregos de alta qualificação técnica. Nesse sentido, a AEB destacou recursos do seu orçamento e buscou outros junto aos Fundos Setoriais para estabelecer um programa vigoroso de formação e atração de talentos para o Programa Espacial, repassando recursos de bolsas ao Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), para sua efetivação.

T&D - Em 2009, a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) completou 30 anos com poucos resultados efetivos. E, de fato, existe a impressão de que não houve muitos avanços no setor. Em sua opinião, quais são os maiores percalços e problemas do programa brasileiro?

Carlos Ganem - Os avanços não foram poucos. Desde a MECB, no início dos anos de 1980, houve os lançamentos do VSB-30 e do VLS, dos satélites SCD-1 e 2 e dos CBERS 1, 2 e 2B. Hoje, nossa indústria está capacitada para projetar e fabricar, praticamente, todos os subsistemas de satélites, incluindo câmeras de média e, logo, de alta resolução. Projetos como o do Radar de Abertura Sintética (SAR) permitirão que essa competência instalada se estenda a tecnologias ainda mais sofisticadas e estratégicas.

Logicamente, o ritmo e a velocidade do avanço podem ser questionados quando comparados aos de outros países como a China e a Índia. Cabe, então, lembrar que, nestes dois casos, as motivações militares e de prestígio político internacional prevaleceram e justificaram o enorme aporte de recursos destinados àqueles programas espaciais. No Brasil, fica cada vez mais claro que um programa espacial forte é imprescindível para que o País enfrente os cenários de mudanças globais que se aproximam e trarão, certamente, impactos geopolíticos, sócio-econômicos e até financeiros.

Veja o exemplo do projeto CBERS. Ele propiciou um bom desenvolvimento da indústria, com a inclusão de algumas empresas que antes não se dedicavam à área espacial. Há, atualmente, um montante da ordem de R$ 300 milhões contratados junto à indústria nacional. Isso ainda é pouco, mas já supera o orçamento de 2009 da AEB.

T&D - A estrutura organizacional do Programa Espacial Brasileiro, com a AEB como gestora, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, e INPE e DCTA como executores, é a mais adequada? Há alguns meses, chegou-se a especular sobre a vinculação da Agência diretamente à Presidência da República...

Carlos Ganem - A questão da vinculação da AEB não é um problema real. Houve, como venho esclarecendo sempre, vantagens e desvantagens tanto na Presidência quanto em um Ministério, como o MCT. O essencial, aqui, é como o Brasil entende seu próprio programa espacial: uma questão de Estado ou apenas um acessório, entre outros programas de governo.

Trata-se, principalmente, de se ter em mente que os maiores países do mundo, Estados Unidos, China, Índia e Rússia, se considerarmos sua área, população e PIB, não por acaso, são potências espaciais. O Brasil é o quinto desta lista e creio que deve juntar-se aos primeiros no quesito espacial.

T&D - O orçamento federal aprovado para 2010 destina R$ 293 milhões para a AEB. Estes recursos são suficientes? Há alguns anos, nota-se um crescimento anual no orçamento do Programa Espacial Brasileiro, mas os recursos que têm sido destinados atendem todas as necessidades?

Carlos Ganem - Para 2010, faltam R$ 261 milhões para a complementação do CLA e R$ 275 milhões para integralização de capital da empresa ACS. Dessa forma, o orçamento fica sempre a 1/3 das necessidades previstas apenas no PNAE e no PAC/C&T. Fica claro, assim, que para esses projetos em andamento, o valor orçado é suficiente e compatível com a capacidade de execução dos institutos e da indústria. Mas não contempla novos projetos e ações. É como “aceitar” as limitações do PNAE e não poder prever o futuro.

É certo que o orçamento do Programa Espacial pode e deve crescer, e isso, em coordenação com o esforço constante de aumento da participação industrial nos projetos e de fortalecimento e aumento da quantidade de recursos humanos em nossos institutos de pesquisa, condições essenciais para dar suporte à demanda do segmento espacial nos próximos anos.

T&D - Sua gestão tem sido marcada pela busca de novos acordos de cooperação e o senhor já afirmou que seu objetivo é firmar tantos quantos forem possíveis, de modo a beneficiar o País. Ao mesmo tempo em que um maior número de parceiros significa maior leque de oportunidades, há quem veja isso de maneira negativa, por indicar falta de foco e divisão dos parcos recursos em diferentes atividades. O que o senhor pensa a respeito?

Carlos Ganem - A lógica dos acordos internacionais é bem simples. Esses acordos abrem inúmeras perspectivas de novos mercados, visto que apenas a demanda nacional não tem sido suficiente, ao menos neste momento, para estruturar um setor industrial sustentável no Brasil. Alianças estratégicas com alguns países podem trazer benefícios pelo lado da política internacional possibilitando, inclusive, desenvolvimento de grandes projetos conjuntos, como já ocorre com o CBERS e a ACS.
Em áreas de ponta e repercussões estratégicas, o sectarismo e o isolamento não permitem que o País possa esperar soluções autóctones que compensem o atraso e a perda de papel protagonista que o Brasil deveria exibir.

T&D - Ainda em matéria de cooperação internacional, os Estados Unidos sempre foram um parceiro significativo, mas, nos últimos anos, esta parceria aparenta ter perdido forças. Isso de fato aconteceu? Quais são as suas possibilidades futuras?

Carlos Ganem - De fato, os Estados Unidos afastaram-se do Brasil no que tange
especialmente ao segmento de lançamentos. Em razão disso, e até por considerá-lo país estratégico na área espacial, dediquei-me a estabelecer contatos e ações programáticas para a AEB, do lado brasileiro, e a NASA, a NOAA, a US/GS e o próprio Departamento de Estado, pelo lado estadunidense. Em decorrência desse empenho, a nova versão do Acordo do Quadro de Cooperação Espacial do Brasil e Estados Unidos já foi encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores e deverá ser concluído logo.

Do mesmo modo, em novembro de 2009, a AEB foi incluída na missão brasileira de cooperação em Ciência e Tecnologia com aquele país, quando tive oportunidade de encontrar-me com as autoridades do espaço estadunidenses incluindo o administrador da NASA, Charles Frank Bolden. A ele foram apresentadas propostas de cooperação tal o fornecimento de instrumento para ser embarcado no satélite GPM (Global Precipitation Measurement) brasileiro.

Muito mais que apenas uma colaboração científica, creio se tratar de um gesto de aproximação dos Estados Unidos, ao qual a AEB deve corresponder e fortalecer os laços.

T&D - Em dezembro de 2008, os governos do Brasil e da França firmaram um acordo estratégico em variadas áreas, inclusive a espacial. O senhor poderia falar um pouco sobre os projetos e possibilidades de cooperação entre os dois países?

Carlos Ganem - Antes de tudo é uma retomada de relacionamento entre os dois países e entre a Agência Espacial Francesa (CNES) e a AEB. A França há muito havia se distanciado do Brasil, aceitando um papel que desmerece a tradição de cooperação entre os dois entes espaciais, restringindo-a a um projeto que se utilizava de balões para estudos atmosféricos. Agora, retomou-se o fôlego por meio de um acordo quadro que já contempla três frentes: a CNES vai prover suporte técnico às revisões de projeto da Plataforma Multimissão e do SGB; juntamente com o INPE deverá elaborar proposta de projeto conjunto para o satélite GPM; e um pequeno grupo de estudos conjunto foi formado para padronizar interfaces e equipamentos para satélites, de forma a favorecer as indústrias espaciais brasileira e europeia.

T&D - Como o senhor avalia a capacidade industrial brasileira na área espacial? Qual é a política da AEB para o desenvolvimento deste setor?

Carlos Ganem - A indústria espacial brasileira está chegando à sua maturidade tecnológica. Hoje, mesmo desfalcada de alguns ícones do setor, percebe-se avanços em relação ao início da década de 1980. Nossa indústria fornece praticamente todos os equipamentos do satélite CBERS, sob responsabilidade brasileira. A respeito da PMM, tão logo se conclua o subsistema de controle de atitude pela empresa argentina Invap, esta tecnologia será transferida pelo INPE para o setor industrial. O País terá, então, acesso a todas as tecnologias críticas para sistemas de satélites.

Essa auto-suficiência tecnológica adquirida pelas empresas nacionais permitirá um novo impulso no Programa Espacial fazendo a política industrial avançar no ciclo espacial. Este ciclo, pelo qual já passaram os países desenvolvidos, começa com investimentos públicos em projetos e infraestrutura espaciais e a indústria se apropria da tecnologia via transferência por meio de contratos com o governo para fabricação de equipamentos e satélites ou foguetes. Uma vez apropriada a tecnologia, como ocorre agora no Brasil, esse mesmo setor industrial passa a prestar serviços – e não apenas vender equipamentos sob contrato, diretamente aos setores governamentais e privados.

Nesse contexto, todos os contratos governamentais e colaborações internacionais tornam-se instrumentos de política industrial por atacarem o lado da oferta, via capacitação da indústria, e da demanda, via abertura de novos mercados.

T&D - Desde o início de 2009, o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) está sendo revisto, num processo considerado o mais profundo desde 1994. O senhor poderia falar um pouco sobre a revisão e também sobre o que esperar dela?

Carlos Ganem - Este processo, iniciado em junho de 2009, procura construir uma visão comum, entre governo, academia, setor privado e sociedade, sobre o papel a ser desempenhado pelo Programa Espacial na estratégia de desenvolvimento de nosso País. Quer responder a perguntas como: o que o Brasil espera de seu Programa Espacial? Quais devem ser as prioridades imediatas? Como integrar os projetos do Programa Espacial com os outros programas de governo? Como tornar a atividade espacial um gerador de negócios e aumentar a sustentabilidade comercial do setor espacial no Brasil?

Além disso, há outras perguntas igualmente importantes que devem ser respondidas como: o que os países que dominam todo o ciclo espacial fizeram no passado e o Brasil nunca fez? O que esses países fazem hoje e o Brasil ainda não faz? Logicamente, não quero apenas replicar essas iniciativas aqui, mas é preciso ter uma visão muito clara de ações e projetos poderão ser inseridos no Programa Espacial para que ele responda às demandas sócio-econômicas políticas e tecnológicas do nosso País.

Para isso, o processo de revisão iniciou-se com estudos retrospectivos sobre a política e o Programa espaciais, seguidos de uma fase prospectiva, que inclui comparações com outros países e formulação de cenários de futuro e elaboração de uma visão estratégica – com prioridades e metas que concretizem os macro-objetivos e diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE), a serem atingidas no curto, médio e longo prazo. Essa visão deverá ser compartilhada por todos os setores envolvidos na revisão.

Sobre esta visão de futuro comum serão, então, revistos os atuais projetos em curso, quanto à sua aderência à nova visão e elaborada a nova carteira de projetos do PNAE, mais flexível e fluida, capaz de ser rapidamente redirecionada dependendo de novas prioridades ou de flutuações orçamentárias. Serão, também, revistos os procedimentos de gestão do Programa Espacial e até mesmo as competências críticas e melhor organização interna da AEB para cumprir seu papel de coordenadora do PNAE e da PNDAE.

As palavras-chave são compartilhamento de visão e compromisso entre órgãos de governo, sociedade, indústria e academia. Sem isso, nunca o Programa Espacial terá o status de um programa de Estado, como há muito o vislumbro.

T&D - A revisão do PNAE leva em conta a Estratégia Nacional de Defesa, lançada pelo governo federal no final de 2008? Qual deve ser a relação entre os dois documentos?

Carlos Ganem - Certamente a END é um insumo importantíssimo para a revisão do Programa Espacial. Na verdade trata-se de uma realimentação, visto que a END, na sua elaboração, utilizou-se e deu importância a algumas metas e objetivos do PNAE que, em sua revisão, retomará os grandes objetivos da END.

Observe, entretanto, que a tendência de se colocar “Espaço” em “Defesa”, remete a questão a um “simplismo” exasperante já que aquele é maior, mais abrangente, conectado com os desígnios e providências da sociedade. Complementarmente, o Programa Espacial Brasileiro é pacífico, civil e deverá ser assim compreendido e apoiado no plano interno do Estado e no âmbito das ações internacionais pacíficas e promotoras do desenvolvimento científico-tecnológico, gerador de inovações.

T&D - Dentro dessa relação entre Espaço e Defesa, o senhor poderia falar um pouco sobre os projetos Sentinela e Satélite Geoestacionário Brasileiro, que também terão aplicações militares? Em que estágios se encontram?

Carlos Ganem - Vou reiterar que não há distinção entre tecnologia civil ou de Defesa mas, sim, entre suas aplicações. O projeto Sentinela ainda está um sua fase de pré-concepção, aguardando que seus requisitos de missão e de desempenho sejam revisados e definidos. É um trabalho conjunto entre AEB, indústria e MD, que terá, em breve, participação do INPE. O SGB entrou em sua fase de estudos preliminares, de caráter técnico, jurídico, econômico e comercial, em vista de elaboração de um edital de Parceria Público-Privada. Caso os estudos concluam pela sua viabilidade, eles serão submetidos às instâncias decisórias do governo para lançamento do edital, o que ocorrerá, possivelmente, em 2011.

André M. Mileski






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12-02-2010
<![CDATA[Sustentabilidade espacial em debate no Copuos]]>
Este ano, as novidades do comitê científico e técnico serão as discussões em torno das discussões sobre o clima espacial - estudo das relações entre o Sol e a Terra. O espaço interplanetário, o campo magnético terrestre (Magnetosfera) e a natureza da atmosfera interferem no clima e, por isso, é importante que haja estudo e controle do que acontece no espaço.

Outro ponto novo a ser abordado será a sustentabilidade a longo prazo das atividades no espaço exterior. Desde o início da atividade espacial mundial, não houve cuidado com o lixo deixado no espaço. Atualmente, há uma quantidade enorme de satélites fora de funcionamento e pedaços de foguetes em órbita. “Para que a atividade espacial continue, é necessário que tomemos cuidado”, observa Himilcon Carvalho. Segundo ele, a grande quantidade de lixo no espaço pode causar acidentes, fazer com que não haja lugar para que novos satélites sejam colocados em órbita, fator que influenciará o clima espacial.

Será discutida, também, a criação de uma coordenação internacional para cuidar da movimentação da órbita geoestacionária – onde ficam os satélites artificiais de comunicações e grande parte dos de meteorologia. “A Aeronáutica tem um sistema que faz com que não haja acidentes com os aviões. No espaço deveria existir algo semelhante É necessário que quando um satélite for colocado ou movido no espaço todos saibam. Isso fará com que acidentes sejam evitados que saibamos o que podemos esperar dessa movimentação.”, esclarece Himilcon Carvalho.

Tratados - O Copuos, orgão da Organização das Nações Unidas (ONU), foi criado em 1959 com o objetivo principal de regulamentar os tratados na área espacial. Considerado o mais alto fórum intergovernamental para o exame, a avaliação e a regulamentação das atividades espaciais para fins pacíficos, o órgão possui dois subcomitês – o científico e técnico e o jurídico – e uma reunião plenária, que será realizada, em junho, na Áustria. Dos 192 países que integram a ONU, 69 participam do Copous.

Os cinco tratados internacionais hoje em vigor e as seis declarações da Assembleia Geral da ONU que, hoje, configuram o Direito Espacial Internacional são frutos dos trabalhos realizados pelo Copuos. Em 15 de julho de 2006, a proposta brasileira intitulada “Cooperação Internacional na Promoção do Uso de Dados Geoespaciais para o Desenvolvimento Sustentável” fez parte da agenda de debates.






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12-02-2010
<![CDATA[AEB participa de Conferência na Nasa]]>
Pela primeira vez, desde sua primeira edição, em 2004, a APPEL convidou participantes internacionais, entre os quais a Agência Espacial Brasileira (AEB), representada pelo diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos, Himilcon de Castro Carvalho.

O Brasil, juntamente com a Índia, apresentou seus métodos de trabalho no gerenciamento de projetos espaciais."O evento é um bom exemplo de como difundir e apropriar o conhecimento e a experiência dos especialistas para toda e qualquer instituição", observou Himilcon.

Ao comentar o desafio que a atividade espacial representa para a humanidade, o diretor geral da Agência Espacial Européia, Jean-Jacques Dordain, lembrou que "a exploração humana do espaço é inevitável, justamente porque somos humanos. Explorar faz parte da nossa natureza".

Os títulos dos painéis e sessões do evento revelam o conjunto de assuntos que contribuem para o sucesso dos empreendimentos da Nasa: engenharia de sistemas espaciais, análise de riscos, formação e gerenciamento de equipes, lições aprendidas, palavras de sabedoria (para novos gerentes), projetos complexos e inovação, entre outros tópicos.

A APPEL é responsável pelo treinamento e capacitação dos futuros gerentes de projetos e programas espaciais da Nasa, promovendo o desenvolvimento profissional e a carreira de seus especialistas. Entre os debates, também se destacaram as negociações para que o Brasil possa enviar técnicos para serem treinados pela Academia.






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11-02-2010
<![CDATA[AEB divulga resultado do Programa Uniespaço]]>
Consultores internos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e externos – pesquisadores da área aeroespacial - analisaram todos os projetos levando em consideração sua relevância, competência e capacidade de execução. Os consultores internos analisaram a pertinência do projeto apresentado ao Programa Espacial Brasileiro e os externos, o mérito técnico-cientifico dos projetos.

Os aprovados neste anúncio de oportunidades serão comunicados formalmente pela AEB. Deverão assinar um termo de compromisso e, então, receberão instruções para a utilização dos recursos.

“Veículos Espaciais” é a temática de 17 dos projetos aprovados. Sete são sobre “Controle Embarcado de Satélites Artificiais” e três sobre “Sensoriamento Remoto”. O tópico do restante é “Materiais”. As instituições que mais tiveram projetos aprovados foram o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto de Estudos Avançado (IEAv).

Uniespaço
Segundo o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da AEB e responsável pelo Programa Uniespaço, Thyrso Villela, “a ideia é engajar as universidades no esforço brasileiro de domínio das tecnologias espaciais”. O Uniespaço foi criado em 1997 e, desde então, integra o setor universitário no desenvolvimento de produtos e processos, análises e estudos de interesse do setor espacial. Seus objetivos são estimular e ampliar a participação de universidades e outras instituições de pesquisa no Pnae; promover projetos de pesquisas a partir de temas selecionados pelo programa, gerando produtos tangíveis e não-tangíveis, podendo incluir o desenvolvimento de protótipos e aprimorar núcleos de pesquisa e desenvolvimento, capacitando-os a executar projetos de maior vulto e complexidade. Nos três anúncios de oportunidade que a AEB já lançou, 44 projetos foram beneficiados.

O Uniespaço publica Anúncios de Oportunidades nos quais são estabelecidos temas e demais condições para encaminhamento de propostas que devem considerar a possibilidade efetiva de aplicação futura. No site da AEB ( http://www.aeb.gov.br/mini.php?secao=uniespaco ) é possível encontrar, dados de como os projetos devem ser apresentados, as portarias e os documentos base do programa.






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10-02-2010
<![CDATA[Primeiro satélite brasileiro completa 17 anos em operação]]> Quando lançado pelo foguete norte-americano Pegasus, em 1993, a expectativa era de apenas um ano de vida útil. Contudo, o Satélite de Coleta de Dados (SCD-1)se mantém operacional e retransmitindo informações para a previsão do tempo e monitoramento das bacias hidrográficas, entre outras aplicações.

O lançamento do SCD-1 foi o início da operação do Sistema de Coleta de Dados Brasileiro, que consiste em uma rede de satélites em órbita baixa que retransmite as informações ambientais recebidas de um grande número de plataformas de coleta de dados espalhadas pelo território nacional. Atualmente, o Sistema de Coleta de Dados é composto pelos satélites SCD-1, SCD-2 (lançado em 1998), e Cbers-2B (2007), sendo que suas informações são distribuídas a diversas instituições no Brasil e no exterior.

O satélite capta e retransmite os sinais das plataformas para a estação de recepção e processamento do Inpe em Cuiabá (MT) e depois os dados são transmitidos para a unidade de Cachoeira Paulista (SP), onde ficam à disposição das empresas e instituições usuárias do sistema. Os dados coletados pelo satélite SCD-1 são utilizados em diversas aplicações, como previsão de tempo, estudos sobre correntes oceânicas, marés, química da atmosfera, planejamento agrícola, entre outras. Uma aplicação de grande relevância é o monitoramento das bacias hidrográficas, que fornecem dados fluviométricos e pluviométricos. Os dados estão disponíveis no endereço:
http://satelite.cptec.inpe.br/PCD/" target="_blank">http://satelite.cptec.inpe.br/PCD/









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09-02-2010
<![CDATA[Hu Jintao prepara visita ao Brasil]]>
Hu Jintao esteve no Brasil em novembro de 2004, em retribuição à visita que Lula havia feito à China seis meses antes. Em maio do ano passado, Lula esteve novamente na China. Se confirmada, a visita de Hu Jintao ocorrerá no momento em que a China se consolida como maior parceiro comercial do Brasil e aumenta os investimentos e linhas de crédito ao País. O Banco de Desenvolvimento da China (BDC) concedeu em 2008 financiamento de US$ 10 bilhões à Petrobrás, em um contrato que tem como garantia a exportação de petróleo à própria China.

No ano passado houve um crescimento espetacular do comércio, a intensificação do diálogo político em todos os níveis e nova geração de investimentos e financiamentos da China no Brasil, disse ao Estado o embaixador brasileiro em Pequim, Clodoaldo Hugueney. Para ele, a relação ficou mais abrangente e com conteúdo muito mais rico.

Reflexo disso é a elaboração do Plano de Ação Conjunta 2010-2015, no qual são definidas as prioridades em todas as áreas do relacionamento bilateral, incluindo comércio, investimentos, educação e tecnologia. O texto deveria ter sido aprovado em 4 de novembro, em reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), a principal instituição de negociação de temas que interessam aos dois países. O encontro foi cancelado duas semanas antes, e Brasília e Pequim buscam nova data, ainda no primeiro trimestre de 2010.

A Cosban é dirigida pelo vice-presidente, José Alencar, e por um dos vice-primeiros-ministros da China, Wang Qishan. O grupo deveria se reunir a cada dois anos. O primeiro encontro foi em 2006, na China, e o segundo estava previsto para 2008, no Brasil, mas foi adiado duas vezes. É essa reunião que os dois lados tentam realizar agora.

A definição da nova data foi dificultada pelo fato de Wang Qishan ter sido designado para coordenar os trabalhos relativos à Expo 2010, que ocorrerá em Xangai a partir de maio.

A primeira cúpula do Bric ocorreu em junho de 2009 em Ecaterimburgo, na Rússia, e terminou com uma declaração favorável à maior cooperação entre os integrantes e à ampliação da participação dos emergentes nos organismos multilaterais.

A segunda cúpula é vista como um avanço na institucionalização do Bric, sigla criada em 2001 pelo economista Jim ONeill, do banco de investimentos Goldman Sachs. ONeill previu que os quatro países emergentes terão na metade do século um peso econômico maior que os seis países mais industrializados (EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, França e Itália).







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03-02-2010
<![CDATA[Olho brasileiro no espaço]]>
Foi-se o tempo em que o Brasil assistia de longe às grandes descobertas do mundo espacial. A participação do país em empreendimentos do setor é cada vez maior. Exemplo disso é o CoRoT, satélite desenvolvido por meio de um convênio entre Brasil, França e seis países europeus. O equipamento acumula tantas descobertas que a duração de sua missão foi ampliada em três anos. Assim, ele deve permanecer no espaço pelo menos até 2012.

O CoRoT sigla para Convection rotation and planetary transitssatelite tem dois objetivos principais: descobrir exoplanetas (planetas localizados fora do Sistema Solar) e estudar as vibrações das estrelas, conhecidas como estelemotos (equivalente espacial aos terremotos veja arte). Os dados enviados para a Terra são analisados por cientistas do Brasil e da França, além de outros seis países (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Holanda e Itália). A grande vantagem de nossa participação no projeto é que todo nosso investimento está sendo revertido em desenvolvimento. Estão direcionados para nossos pesquisadores, nossas bases. Contribuímos com 2% do orçamento e temos acesso a 100% da pesquisa , explica o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), Thyrso Villela.

De acordo com o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Janot, também presidente do Comitê CoRoT-Brasil, o satélite abre um novo caminho para a pesquisa espacial brasileira. Essa é a primeira vez que nós temos direitos totais às pesquisas de um satélite. Até hoje, nós apenas podíamos usar, quase que emprestados, os satélites de outros países , comemora.

Parece que o país começou com o pé direito. O CoRoT já está fazendo história, ao ser responsável pela descoberta, feita em fevereiro de 2009, do primeiro exoplaneta semelhante à Terra. Batizado pelos cientistas de CoRoT-7B, ele orbita uma estrela denominada CoRoT-7, um pouco menor, mais fria e mais jovem do que o Sol. Localizada na constelação de Unicórnio, a estrela está a cerca de 500 anos-luz da Terra. Foi a primeira vez que um planeta com essas características foi localizado. Foi esta descoberta que comprovou que podem sim existir outros corpos semelhantes à Terra , explica Janot.

O interesse dos pesquisadores em encontrar planetas semelhantes ao nosso se deve à possibilidade de identificar vida extraterrestre. Para que a vida se desenvolva é preciso que haja condições como temperatura e composição rochosa parecidas com as da Terra. E o primeiro que poderia preencher estes requisitos é o CoRoT-7B , conta o professor da USP.

No entanto, pesquisas já mostraram que não foi desta vez que provamos que não estamos sós no universo. O planeta completa uma translação em torno de sua estrela em pouco mais de 20 horas, estando 23 vezes mais próximo dela do que Mercúrio está do Sol. Portanto, ele é muito quente para abrigar qualquer tipo de vida, mesmo das formas mais primitivas. Mas como descobrimos esse, podemos achar outros ainda mais promissores , completa.

Softwares

Os programas que comandam e garantem o funcionamento do CoRoT foram totalmente desenvolvidos por engenheiros brasileiros. Quando entramos no projeto, enviamos seis engenheiros para Toulouse, na França, onde o projeto é baseado, e eles desenvolveram toda a parte de software do satélite , explica Eduardo Janot.

Outra contribuição fundamental para o sucesso das pesquisas vem da base aeroespacial de Alcântara, no Maranhão. É para lá que são direcionados os dados colhidos quando o satélite está orbitando o Hemisfério Sul. São apenas três centos de recepção de dados: dois no Hemisfério Norte, localizados na França e no Ártico, e o do Brasil , conta Janot.

Além de identificar novos planetas, o CoRoT ajuda em estudos sobre os chamados estelemotos, que são espécies de terremotos que ocorrem dentro de estrelas. O fenômeno pode ajudar a compreender o comportamento e a estrutura das estrelas. Nós estudamos estrelas mais velhas na tentativa de prever como será o comportamento do Sol, que é a principal fonte da vida na Terra , diz Janot. Uma pequena alteração em sua densidade seria fatal para nós. Daí a importância de conhecer tão bem as estrelas.

Depois de três anos em órbita, o satélite seria desativado no fim do ano passado. Entretanto, a missão do CoRoT foi tão bem-sucedida que os pesquisadores do consórcio de sete países que o controlam decidiram prorrogar sua missão por mais três anos. É um custo muito alto manter equipes em várias partes do mundo monitorando e recebendo os dados de um satélite, mas as descobertas foram tantas que as agências espaciais optaram por não interromper o experimento agora , explica o cientista paulista.

Com sua data de aposentadoria marcada para 2012, o CoRoT já tem um sucessor em desenvolvimento. Quando parar de funcionar, será substituído pelo Planto, uma versão muito maior e mais moderna. A participação brasileira já está garantida nessa segunda etapa. No setor espacial, a cooperação internacional é muito importante, e nós estamos cada vez mais ampliando nossa participação , comenta o diretor da Agência Espacial Brasileira, Thyrso Villela.







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02-02-2010