O Sonda III representou um grande avanço técnico em relação ao seu antecessor. Além de ser composto por dois estágios, o que lhe dava um porte consideravelmente maior que o Sonda II, trazia uma rede elétrica mais elaborada e carga útil instrumentada. Todavia, foi sob o ponto de vista gerencial que o Sonda III mais se distinguiu em relação ao Sonda II. Nesse particular, por seu caráter pioneiro, o Sonda II foi gerenciado de forma pessoal e pouco estruturada, além de ter sido um projeto pouco documentado e sem especificações técnicas dos materiais constituintes do sistema, até porque sua configuração de referência foi baseada no foguete canadense Black Brant III, da Bristol Aerospace.

Apesar disso, constituiu uma excepcional escola e funcionou como elemento aglutinador de pesquisadores para a constituição de uma massa crítica de especialistas. A condução do projeto foi do engenheiro Jayme Boscov, que havia regressado ao Brasil, após nove anos de trabalho no desenvolvimento de foguetes na França.

As principais conquistas alcançadas com esse veículo foram:

  • Desenvolvimento do propulsor do primeiro estágio, com 557 mm de diâmetro;
  • Projeto aerodinâmico de uma configuração mais complexa, envolvendo empenas no primeiro e no segundo estágios;
  • Desenvolvimento do sistema de separação de estágio;
  • Desenvolvimento de redes elétricas e seus equipamentos, para permitir o monitoramento do comportamento do veículo em voo;
  • Desenvolvimento de itens pirotécnicos.

A versão M1 utiliza o propulsor S23 no segundo estágio. O propulsor S23 é 1294 mm menor que o propulsor S20, para que o veículo não ficasse muito longo e não produzisse um carregamento elevado no plano de separação de estágios. Por último, o veículo também foi concebido utilizando o motor S33 no segundo estágio e, assim, foi chamado de Sonda IIIA.

SONDA III

Figura 1 – Sonda III

TABELA SONDA III