Veículos lançadores são máquinas grandes e extremamente complexas e, para sua operação, são necessárias várias instalações e operações especializadas que se realizam pelos centros de lançamento. Também chamados centros espaciais, esses são locais de onde partem os foguetes (lançadores) que carregam várias cargas espaciais. Nesses centros são realizados desde o lançamento em si até operações como montagem e finalização da construção dos veículos lançadores que são chamadas operações de solo.

Centros de lançamento são formados por várias instalações. Geralmente, neles existe um prédio destinado à integração, onde o lançador e a carga útil são montados. Há, ainda, o centro de controle e operações, onde o lançamento é supervisionado e controlado e, finalmente, o sítio de lançamento, onde o veículo lançador é abastecido e de onde ele parte.

O Brasil possui dois centros de lançamento: o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e  o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), onde está localizado o CVT-Espacial. Por causa da proximidade com Natal, o CLBI não realiza lançamentos de veículos grandes, mas apenas de foguetes de sondagem (que são capazes de atingir grande altitude para estudos e experimentos em ambiente de microgravidade).

CLA-CLBI

Fig. 1-Centros de Lançamento Brasileiros: Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) à esquerda e Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) à direita.

O CLA é maior que o CLBI e é de lá que o Brasil planeja lançar seu mais novo foguete espacial: o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM). Diferentemente de outros centros, o prédio de integração e o sítio de lançamento do CLA são combinados na mesma estrutura: Torre Móvel de Integração (TMI). Essa torre é o prédio onde as diferentes partes do foguete são montadas umas sobre as outras. Ao final dessa integração, a torre move-se para trás e o foguete está pronto para ser lançado.

TMI

Fig. 2-Sitio de lançamento do CLA com a TMI recuada e o VLS.

Devido às grandes distâncias que o foguete transpõe até a órbita final do satélite, é impossível que as antenas de um único centro de lançamento consigam se comunicar durante todo o voo do lançador. Para permitir que os foguetes sejam rastreados e possam comunicar-se de forma contínua, os centros de lançamento firmam acordos e parcerias onde, ao longo do voo, vários centros recebem os dados. O CLBI tem uma parceria com o Centro Espacial da Guiana Francesa (pertencente à União Europeia) para rastrear os foguetes Ariane-5, Soyuz e VEGA. Missões planetárias relevantes foram rastreadas a partir do CLBI.

Obrigações

Os centros de lançamento são fundamentais na atividade espacial, tanto para o lançamento de veículos de pesquisa quanto para a colocação de satélites em órbita e, ainda, pela sua capacidade de rastrear engenhos espaciais.

Cabe ao centro de lançamento:

Antes da decolagem:

  • Estabelecer os procedimentos operacionais e de segurança específicos para cada tipo de operação;
  • Coordenar as atividades de preparação e de lançamento, incluindo os cuidados com a segurança das pessoas e dos meios envolvidos no processo;
  • Realizar cálculos da trajetória do veículo e dos pontos de impacto dos estágios a serem descartados após a decolagem;
  • Avaliar as condições críticas para teledestruição do veículo, caso haja necessidade, por motivos de segurança.

Depois da decolagem:

  • Coletar e processar os dados relativos à trajetória do veículo e aos parâmetros de desempenho da carga útil;
  • Avaliar, continuamente, as condições de segurança de voo e, se necessário, teledestruir o veículo;
  • Acompanhar a trajetória até atingir o ponto de injeção em órbita (para veículos orbitais) ou solo (para veículos suborbitais).

Centro de Lançamento da Barreira do Inferno – CLBI

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), criado pela Portaria nº S-139/GM3, de 12 de outubro de 1965, tem por finalidade executar e prestar apoio às atividades de lançamento e rastreio de engenhos aeroespaciais e de coleta e processamento de dados de suas cargas úteis, bem como executar os testes, experimentos, pesquisa básica ou aplicada e outras atividades de desenvolvimento tecnológico de interesse da Aeronáutica, relacionados com a Política da Aeronáutica para Pesquisa e Desenvolvimento e com a Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE).

(Rodovia RN 063 – Km 11 – Parnamirim-RN)

Centro de Lançamento de Alcântara – CLA

Concebido no início da década de 80 como um dos três segmentos da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) tem por missão executar as atividades de lançamento e rastreio de engenhos aeroespaciais e de coleta e processamento de dados de suas cargas úteis, bem como a execução de testes e experimentos de interesse do Comando da Aeronáutica, relacionados com a Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE).

As atuais instalações e sistemas operacionais do CLA atendem, de forma irrestrita, lançamentos de sondagem e investigação científicos, contemplando, inclusive, os satelizadores orbitais. A sua posição geográfica, estratégica e privilegiada, a 2º18′ sul da linha do Equador, além das condições de segurança, economia e disponibilidade configuram um diferencial competitivo que, se bem desenvolvido, pode tornar o CLA um dos melhores centros espaciais do mundo.

(Rodovia MA-106 – Km 7 – Alcântara-MA)