A observação da Terra por satélite é uma das áreas do sensoriamento remoto que estuda e desenvolve processo de captura de informações à distância. Satélites permitem a observação de alvos na superfície terrestre (objetos, regiões, fenômenos intermitentes) através do registro da interação da radiação eletromagnética com a superfície e seus objetos, o que é realizado por seus sensores instalados nas cargas úteis e com diversas características. Essa observação permite a aquisição de informações físicas, químicas e do sistema biológico na superfície da Terra e são utilizadas para monitorar e avaliar alterações no meio ambiente por meio de modelos matemáticos e computacionais.

A observação da Terra por satélite é atividade obrigatória como ferramenta para análises das mudanças ambientais causadas pela sociedade moderna. Pela constatação dessas alterações e de seus efeitos deletérios, surgiu a necessidade de minimizar esses impactos e levantar oportunidades para melhorar o bem-estar social e econômico. É fácil perceber a importância do Programa Espacial Brasileiro para a sociedade, uma vez que o Brasil é um país de dimensões continentais. Com um território com mais de 8 milhões e 500 mil quilômetros quadrados, o sensoriamento remoto realizado por satélites em diversos comprimentos de onda e resoluções simplifica, sistematiza e aumenta a eficiência de monitoramento desse enorme território, dadas as limitações econômicas para o monitoramento direto e a necessidade de se ter ações tempestivas na correção, tratamento e solução de problemas ambientais ou desastres.

Algumas das aplicações específicas de observações da Terra incluem:

• Medição da mudança no uso da terra (como um exemplo, o desmatamento). Essas aplicações são particularmente relevantes para o planejamento agrícola;
• Monitoramento e resposta a desastres naturais, incluindo incêndios, inundações, terremotos e tsunamis;
• Gestão dos recursos naturais como energia e água doce, por exemplo. Uma importante aplicação é o desenvolvimento de modelos de fluxo de água em rios e reservatórios nacionais a partir de dados coletados em satélites;
• Previsão, adaptação e mitigação de mudanças climáticas.

Um exemplo de aplicação é visto na Figura 1. As áreas em rosa correspondem a regiões de desmatamento na região de Aripuanã, no Mato Grosso. Pelo registro sistemático da mesma área, é possível mapear com precisão a progressão do desmatamento ou o seu recuo, o que é uma importante ferramenta de controle ambiental no Brasil dadas as dimensões continentais do país.

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Figura 1. Imagem da câmera CCD do Satélite CBERS-2B sobre a região de Aripuanã no Mato Grosso. Fonte: INPE

No caso de monitoramento de desastres ambientais, um exemplo recente pode ser visto na Figura 2, onde é mostrada a imagem da pluma de sedimentos na foz do Rio Doce em virtude do rompimento da barragem da empresa Samarco. Essa imagem serve como entrada para inúmeros modelos numéricos, que podem prever a evolução futura da movimentação dos detritos e, assim, aperfeiçoar o planejamento de ações mitigadoras dos efeitos de um desastre desse tipo.

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Figura 2. Imagem do satélite CBERS-4, em 7 de dezembro de 2015, mostrando a foz do Rio Doce e a evolução da pluma de detritos do acidente da SAMARCO. Fonte: INPE.