PROFESSOR E ALUNOS DE UBATUBA VÃO ASSISTIR O LANÇAMENTO DO SGDC
Publicado em: Brasília, 7 de março de 2017

Um professor e três estudantes de uma escola pública de Ubatuba (SP) vão ter o privilégio de acompanhar ao vivo o lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), na Guiana Francesa, previsto para 21 de março. O convite do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) tem um motivo. Eles fazem parte do projeto de iniciação científica Ubatubasat, desenvolvido na Escola Municipal Presidente Tancredo de Almerida Neves, que foi responsável pela construção do nanossatélite Tancredo-1.

Os quatro convidados vão assistir ao lançamento do Satélite Geoestacionário no Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa. Eles ficarão a apenas 5 quilômetros da base de lançamento do foguete Ariane-5, que vai colocar o satélite em órbita.

Para o professor Cândido Moura, a oportunidade é um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no projeto Ubatubasat. “Agradeço a demonstração de carinho e sensibilidade do ministério. Esse convite estimula o interesse e reforça a decisão dos alunos em continuar a estudar ciência e tecnologia.”

Cândido Moura é idealizador e coordenador do projeto Ubatubasat, que desde 2010 promove cursos, treinamentos e outras atividades dentro da escola. Esse trabalho capacitou um grupo de alunos a construir o nanossatélite Tancredo-1, lançado no fim do ano passado. Com 9 centímetros de diâmetro, 13 centímetros de altura, o equipamento de 700 gramas foi totalmente construído no Brasil com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Agência Espacial Brasileira (AEB), entidades vinculadas ao MCTIC.

O professor revela que um novo projeto de satélite, o Tancredo-2, já está em andamento. Segundo ele, o novo equipamento desenvolvido pela equipe da escola será mais sofisticado e sua carga útil deverá conter uma câmera que vai ajudar a monitorar o clima na Terra.

Os três estudantes escolhidos para viajar até a Guiana Francesa e ver o lançamento do SGDC fazem parte das duas equipes envolvidas na construção dos nanossatélites. A definição dos nomes foi feita por sorteio e também levou em consideração a autorização dos pais dos alunos para que participassem da experiência.

Expectativa

Uma das contempladas é Rafaela Torres, de 17 anos, que acabou de concluir o ensino médio na escola municipal de Ubatuba. Segundo ela, a expectativa é grande para conhecer o Centro Espacial de Kourou, de onde o SGDC vai ser lançado, ver como tudo funciona e como é o trabalho dos técnicos. “Vai ser legal porque o Tancredo-1 eu só vi o lançamento pelo computador, não foi ao vivo”, revela.

Em dezembro de 2016, o nanossatélite foi lançado do Centro Espacial Tanegashima, no Japão, para a Estação Espacial Internacional (ISS). Em janeiro, o equipamento foi colocado em órbita a partir do módulo japonês da ISS. O professor e os participantes do projeto UbatubaSat assistiram às operações na sede do Inpe, em São José dos Campos (SP).

“Agora é diferente. Vamos ver bem de frente, ao vivo, um grande satélite ser lançado”, vibra Carlos Alberto de Oliveira Filho, de 15 anos.

Desde 2012, ele participa do projeto UbatubaSat na escola. Agora, faz parte do grupo que está diretamente responsável pelo desenvolvimento do Tancredo-2. Ansioso pela viagem, o estudante também quer aproveitar a oportunidade para conhecer o centro de lançamentos.

Yeté Abunã Labarca, de 15 anos, conta que já fez pesquisas na internet sobre o Centro Espacial de Kourou e ficou impressionado com as dimensões do local, que é a base de lançamentos da Agência Espacial Europeia. “Quero ver o foguete decolar e também entender como o centro espacial funciona.”

Estudante do 2º ano do ensino médio, Yeté diz que pretende estudar física na Universidade de São Paulo (USP) e fazer pós-graduação em astronomia.

Comunicações

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas já está no Centro Espacial de Kourou, na Guiana. A construção do equipamento é uma parceria entre o MCTIC e o Ministério da Defesa e conta com investimentos no valor de R$ 2,1 bilhões. O satélite deve ampliar a oferta de banda larga em todo o território nacional, principalmente em regiões remotas do país, além de garantir a segurança das comunicações na área de defesa.

 

Fonte: MCTIC