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Presidente da AEB ressalta importância de consolidar a agenda de 2030 na Unispace +50

Publicado em: 25/06/2018 18h12 Última modificação: 03/08/2018 13h55

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, fez um pronunciamento, na quarta-feira (20.06), na Conferência das Nações Unidas sobre Exploração e Uso Pacífico do Espaço Exterior (Unispace +50), em Viena, na Áustria.

Ao falar para a comunidade espacial internacional e para dirigentes das agências espaciais, José Raimundo ressaltou a importância e a grande oportunidade de estarem unidos a fim de consolidar a agenda de 2030, um ativo importante e histórico para alcançar um desenvolvimento sustentável a longo prazo.

Diante de uma grande plateia, o presidente da AEB fez um breve histórico sobre os anos 50, quando o mundo assustado deparou com a possibilidade do uso do espaço para o propósito da Guerra Fria. Na época foi criado o Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS), órgão que transformou o medo da guerra em esperança de paz. “O Brasil tem orgulho de ter participado dessa decisão como um dos primeiros 18 estados-membros do Comitê”, afirmou José Raimundo.

“Isso deve ser levado em conta pelo compromisso de preservar nosso enorme ecossistema e refletir um dos compromissos permanentes do Brasil com a questão da exploração espacial. Pensamos que, se isso for certo, grande parte do mundo ficará muito satisfeita.

Ao relembrar da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, realizada no Rio de Janeiro em 2012, o presidente da AEB disse que naquela época o Brasil deu passos firmes rumo à histórica consolidação de um novo paradigma: crescer, incluir, proteger e preservar, esses são os elementos  que consideramos cruciais para o desenvolvimento sustentável.

“A cooperação espacial no século 21 é um mecanismo muito poderoso que deveria ser utilizado para estreitar os laços entre nossos países”, afirmou o dirigente da AEB, destacando que não faz mais sentido um país desenvolver sozinho determinados sistemas espaciais.

Para o presidente, não constitui surpresa o fato de a comunidade mundial reconhecer que “a chegada do homem ao espaço abriu grandes oportunidades para a humanidade”. E reconhecer, ainda, que “a exploração e o uso do espaço cósmico para fins pacíficos é de comum interesse de toda a humanidade”, e deveria beneficiar todos os povos independentemente do seu nível de desenvolvimento econômico ou científico”.

“Durante a Era Espacial passada, que perdurou por aproximadamente 60 anos, passamos da coexistência para o estágio de cooperação limitada e controlada; agora, ao iniciarmos um promissor novo milênio, assumimos o compromisso de dar início a um estágio de ampla e profunda parceria” disse José Raimundo.

“Em decorrência de tudo isso advém nossa esperança por menos isolacionismo, menos unilateralismo, e profícua participação e colaboração multilateral, o que nos habilitará a encarar e superar, de modo cooperativo, desafios regionais e globais. A utilização adequada do nosso ambiente espacial poderá constituir robusta contribuição para o desenvolvimento global sustentável”, ressaltou o representante da AEB na Unispace+50.

Para o presidente da AEB, José Raimundo Coelho, ao invés de desenvolvermos individualmente nossos próprios sistemas de satélites, deveríamos construir uma Constelação Universal de Satélites de Recursos Terrestres no intuito de observar o Planeta. “Não deveríamos nos preocupar com alta resolução espacial, uma vez que nos seria possível obter imagens frequentes de todos os cantos da Terra, e esse material poderia ser distribuído para todos os países, sem custo algum, como se fosse um bem social universal”, afirmou.

“Acreditamos, singelamente, que uma Constelação de Satélites nesses moldes constituiria um dos mais fantásticos casos a reverter em benefícios para todos os envolvidos e, portanto, objeto de nossa cooperação. O custo e a administração de tal iniciativa seriam compartilhados de modo justo entre os países elegíveis, e priorizaríamos a prática de desenvolvimento conjunto”, declarou o professor Raimundo Coelho.

“Todos seríamos beneficiados com uma globalização efetiva das atividades no espaço cósmico, pois haveria redução de custos e riscos, promoção e disseminação de conhecimento sobre o espaço, infraestrutura básica espacial, habilidades e competências técnicas e recursos humanos qualificados em escala universal”, declarou o presidente da AEB.

“A Terra é um sistema integrado. E, embora o espaço cósmico seja infinito, ele também é um sistema integrado. A fragmentação da vida e outros temas geralmente integravam parte das nossas iniciativas. Talvez houvesse razões para isto no passado. Tais razões não mais existem. Devemos, isto sim, é acreditar no mundo. É chegada a hora de juntarmos todas as peças e, conjuntamente, lançarmos um novo momento na Era Espacial, um novo capítulo na história da humanidade”, concluiu José Raimundo Coelho.

Discurso do presidente da AEB na Unispace +50.

Coordenação de Comunicação Social – CCS

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