PRESIDENTE DA AEB RECEBE ESTUDANTE BRASILEIRO VENCEDOR DE COMPETIÇÃO DE FOGUETE NOS EUA
Publicado em: Brasília, 27 de julho de 2011

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, recebeu, hoje (27), o estudante de Engenharia Aeroespacial do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Danilo Miranda, vencedor do 6th Intercollegiate Rocket Engineering Competition – 6th IREC, uma das competições de foguetes mais famosas nos Estados Unidos .

A equipe Intitulada “Montenegro” era formada por Danilo e pelo estudante de pós graduação em Engenharia Aeroespacial, Oswaldo Loureda. Os dois começaram o empreendimento em janeiro deste ano, quando decidiram participar da primeira edição internacional da IREC, que ocorreu em junho, na cidade de Green River, Utah.

Para a disputa, a equipe projetou um foguete, o ITARocket v2, com propelente sacarose/nitrato de potássio para participar da categoria básica . As dimensões do foguete eram 2m de comprimento por 7,5 cm de diâmetro. Os requisitos da categoria básica eram projetar um veículo lançador capaz de atingir 10.000 pés (aproximadamente3 km), levando uma carga útil de 10 libras (aproximadamente 4,5 kg).

A definição pela categoria básica da competição foi baseada simplesmente por uma questão de logística. Não seria possível viajar pelas companhias aéreas para os EUA com o foguete montado e carregado com propelente. Sendo assim, o foguete foi levado totalmente desmontado e sem nenhum combustível. O combustível, que é amador, foi adquirido nos EUA (o nitrato de potássio foi comprado na internet e o açúcar foi comprado num supermercado) e cozinhado no próprio local da competição.

Diferente das equipes americanas que estavam trabalhando há pelo menos um ano em seus projetos, os brasileiros tiveram apenas seis meses para desenvolver o foguete. Para dificultar ainda mais, como vieram com o foguete desmontado, tiveram que montar todos os equipamentos em apenas três dias de trabalho, enquanto a maioria das outras equipes já estavam com todo produto pronto.

Para conseguir fazer a montagem em tempo hábil a equipe transformou o quarto de hotel, em que estavam hospedados, em um laboratório, para que o combustível do foguete fosse “cozinhado”, a eletrônica fosse programada, os circuitos todos fechados e o foguete fosse pintado e integrado.

Segundo Danilo, todo este trabalho desenvolvido, em tão pouco tempo, foi fundamental para a conquista do prêmio “Jim Furfaro Award for Technical Excellence” (prêmio de melhor projeto),
dentre 12 equipes de 4 países, a maioria delas do próprio EUA. “Os juízes ficaram particularmente impressionados com o conhecimento demonstrado pela equipe brasileira e pela versatilidade e criatividade para integrar e preparar o foguete em três dias, com materiais de baixo custo comprados em prateleiras de supermercado”.

De acordo com Danilo, apesar das várias dificuldades que enfrentaram antes e durante a competição, além de muitas noites sem dormir, o reconhecimento provido pela conquista obtida foi recompensante. “Ficamos muito felizes por representar bem os pesquisadores que trabalham no programa espacial brasileiro. A viagem foi uma missão exaustiva e sacrificante, mas importante para mostrar a excelência dos profissionais formados pelas escolas brasileiras”.

O GOSTO PELO PROGRAMA ESPACIAL BRASILEIRO

O estudante Danilo Miranda é brasiliense, formado pelo Colégio Militar do DF. Aos 15 anos de idade teve seu primeiro contato com o Programa Espacial, por meio da Jornada Espacial. Encantado com tudo que viu no evento, Danilo se tornou figurinha repetida em várias outras edições, não só deste evento, como em todos que se relacionassem com a temática.

Quando cursava o terceiro ano do ensino médio em Brasília passou no vestibular para ciências da computação na Universidade de Brasília. Percebendo que estava fugindo do seu sonho, o estudante largou o curso e começou a estudar para Engenharia de Aeronáutica no ITA, curso que se aproximava da opção que há tempos já tinha definido. Em 2008, foi aprovado na instituição e seguiu cursando até 2010, quando o ITA inaugurou o seu curso de Engenharia Aeroespacial, este sim, o seu verdadeiro intento. Danilo, aliás, foi o primeiro aluno a se candidatar ao curso.

Atualmente, já no segundo ano de curso, o estudante trabalha no projeto do satélite ITASAT. Danilo faz parte da equipe que desenvolve o sistema de controle de atitude do equipamento, uma tecnologia considerada vital para os satélites.

PLANOS PARA O FUTURO

Segundo Danilo, todo este envolvimento com o Programa Espacial Brasileiro está longe de ter um fim. Ao contrário de muitos de seus colegas que migram para o setor financeiro ou mesmo vão para outros institutos no exterior, a intenção do estudante á seguir carreira profissional dentro do PEB. “Eu tenho bastante interesse pela área de satélites. Meu desejo para o futuro é seguir carreira no Inpe e contribuir para a continuidade do desenvolvimento do PEB”.

Para o presidente da AEB o prêmio recebido pelo estudante pode ser fator que atraia mais pessoas para o PEB. No entanto, Raupp salienta que os eventos com a temática espacial devem ser mantidos e ampliados a fim de recrutar novas mentes. “Nós que somos responsáveis pelo PEB devemos criar oportunidades para esse pessoal jovem. O programa precisa se renovar e é através desse pessoal que isso irá acontecer. Nós vamos continuar a apoiar todos os projetos pois eles ajudam a estimular vocações e promovem talentos”.