PESQUISADORES DISCUTEM PROJETOS ESPACIAIS PARA 2013
Publicado em: Brasília, 5 de abril de 2013

Brasília, 05 de abril de 2013 – O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) reuniu na última semana de março pesquisadores de unidades subordinadas para a maratona de reuniões do Grupo Interfaces de Lançamento (GIL), em Alcântara (MA). Mais de 50 engenheiros e estudiosos da área espacial, incluindo membros do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Instituto de Fomento à Indústria (IFI), do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), discutiram o andamento de projetos, suas questões técnicas e financeiras e propuseram a agenda de lançamentos para os próximos anos.

No primeiro dia de reunião, foram discutidas as oito operações previstas para 2013, duas no CLBI e seis no CLA. A primeira deve ser a Águia, em junho, em que será lançado um Foguete de Treinamento Intermediário (FTI). No último ano, segundo o Comandante do CLA, Coronel Demétrio, foram lançados seis Foguetes de Treinamento Básico (FTB), um FTI, um VS30 Orion, além da Operação Salina – que foi uma simulação de lançamento do VLS-I. Já no CLBI, foram seis operações entre lançamentos e testes, além de cinco rastreamentos do foguete francês Ariane.

Segundo o engenheiro Mauro Dolinsky, Coordenador de Espaço do DCTA, o destaque das atividades deste ano é a grande quantidade de foguetes brasileiros lançados no exterior: a previsão é que sejam lançados nove foguetes, a partir de centros na Noruega e na Suécia. “A importância destes lançamentos é construirmos credibilidade junto à comunidade científica internacional, pois se nós conseguimos fazer bem algo extremamente complexo, como é um foguete, é sinal de que estamos em um nível de excelência nas tecnologias mais simples”, afirma o engenheiro.

Outra importante pauta tratada na reunião do GIL foi o andamento do projeto VLS-1, apresentado pelo seu gerente, Tenente-Coronel Engenheiro Alberto Mello. Segundo ele, o próximo passo no caminho para o lançamento do veículo lançador de satélite é o voo do VSISNAV, previsto para o início de 2014.

O VSISNAV será um veículo espacial lançado para qualificar o sistema de navegação e o sistema de separação do primeiro e segundo estágios do VLS – já que o terceiro e quarto serão inertes. Após o VSISNAV, será lançado outro foguete de testes, o chamado XVT-02, que será um veículo completo com carga tecnológica, ou seja, neste lançamento algum objeto será colocado em órbita – algo que emita sinal, permitindo que os pesquisadores consigam identificar sua localização. Outro objetivo é verificar a funcionalidade de uma nova rede elétrica, mais complexa que a do VSISNAV: este sistema será capaz de calcular sua localização e, a partir destes dados, corrigir sua trajetória de voo, o que se chama de malha fechada.

Após o XVT-02, o projeto VLS-1 chega ao seu ápice, com o lançamento do V-04, que colocará em órbita um satélite real, demonstrando a eficácia do sistema e a capacidade tecnológica brasileira em lançar, com conhecimentos próprios, satélites de pequeno porte – o V04 será capaz de colocar em órbita um satélite de aproximadamente 200 kg em uma altitude de 700 km.

Para o Tenente-Coronel Alberto, mais importante é destacar que, independentemente da escolha que for feita, a estrutura que vem sendo criada poderá ser utilizada para os projetos posteriores: “cada passo na construção do VLS é aprendizado adquirido, pois a ciência se desenvolve assim, da base para o teto. O programa espacial norte-americano, por exemplo, começou pelos projetos Mercury, Gemini, que previam operações menos ousadas, mas essenciais para desenvolver conhecimentos para se chegar à lua com a missão Apollo”, analisa.

Para o atual presidente do GIL, Tenente-Coronel Aviador Paulo Junzo Hirasawa, as reuniões do grupo são umas das poucas oportunidades em que é possível congregar os envolvidos no Programa Espacial Brasileiro – são convidados, inclusive, representantes da Agência Espacial Brasileira (AEB) e Alcântara Cyclone Space (ACS) – para discutir atualizações, apontar problemas, destacar avanços e sugerir soluções para os projetos desenvolvidos.

GIL – O grupo surgiu com o intuito de reunir os diversos atores envolvidos nos lançamentos para troca de experiências técnicas e discutir a logística das operações, já que as atividades desenvolvidas nos centros de lançamento e nos institutos de pesquisa são interdependentes. Inicialmente, o objetivo do GIL era conseguir atender às exigências do relatório referente ao acidente com o VLS, em 2003, que requeria ações conjuntas de melhoramento e segurança.

Fonte: ACS/DCTA

http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?mostra=14361