PARA MERCADANTE, O PAÍS DEVE FOCAR MAIS NO MERCADO INTERNO
Publicado em: Brasília, 11 de julho de 2011

No primeiro dia de atividades da 63ª Reunião Anual da SBPC, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, palestrou hoje (11) para estudantes, pesquisadores e cientistas. No auditório da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO), ele reforçou a necessidade de mudanças no projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional para que os royalties do petróleo não sejam direcionados para um fundo comum. O déficit público da balança comercial em relação às importações de bens para a ciência, tecnologia e inovação também figurou como ponto de destaque. O ministro adiantou também mudanças na estruturação da rede de fibra óptica da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Os detalhes serão divulgados pela instituição durante a SBPC.

Mercadante falou ainda da necessidade de o País focar no mercado interno. “Temos que entender que o nosso patrimônio é o mercado interno. Por isso, precisamos exigir mais processos produtivos básicos para incentivar a produção de bens com conteúdo brasileiro. Já fizemos isso com os tablets. No início acreditava-se que as empresas não se interessariam. Hoje, temos 14 empresas interessadas. Dessas, nove já estão com seus processos aprovados. Além disso, vincular investimentos ao setor de ciência e tecnologia”, enfatizou. “Em setembro, teremos tablets com um percentual de 20% de matéria-prima do próprio país. A meta é atingir em três anos 80%”, complementou.

Outro assunto de interesse da comunidade científica abordado por Mercadante foi a aquisição de mais dois navios oceanográficos para pesquisa em alto mar. Um desses navios será utilizado nas pesquisas na Antártica. O outro ficaria à disposição da plataforma continental. “Um desses navios compraremos fora do país. E a ideia é construir o segundo em nosso estaleiro”, disse.

Aloizio Mercadante tratou de assuntos importantes para o desenvolvimento do país. Para ele, os empresários precisam entender que sem investimentos em pesquisa e inovação a nação não deslancha. “O empresário acha que inovar é comprar máquina está retrocedendo. Os investimentos em PDI no Brasil são de 2/3 do governo; e 1/3 das empresas. No resto do mundo é o inverso”, disse Mercadante. “Tem que criar a cultura da inovação”, completou.

Na outra ponta do processo de fomento à inovação está a transferência de conhecimento para o setor privado. Neste sentido, o ministro citou uma proposta do governo federal para a criação de uma rede de transferência de conhecimento nos moldes da Embrapa. “Os cientistas precisam sai de uma posição de redoma, precisa conhecer a sociedade para contribuir na solução de problemas. A rede será constituída de centros de excelência já constituídos”, comentou.

Os Institutos de Ciência e Tecnologia (INCTs) também entraram na pauta de apresentação. “Hoje, temos 122 institutos com investimentos de mais de R$ 600 milhões. São instituições já criadas. Agora, chegou o momento de fazermos uma avaliação. Aqueles que tiveram sucesso, estudamos a possibilidade de aumentar os recursos. Por outro lado, os que não tiveram desempenho positivo precisam passar por reformulação”, finalizou.