O ESPAÇO EM NOSSA REALIDADE
Publicado em: Brasília, 18 de março de 2013

A pesquisa espacial produz mais do que foguetes, satélites e veículos lançadores. Vários materiais, inicialmente desenvolvidos para uso específico dos sistemas espaciais, passaram a fazer parte do nosso cotidiano. São os chamados spin-offs. Velcro, lentes com proteção UVA/UVB, microships e teflon são exemplos de materiais inicialmente desenvolvidos para uso dos sistemas espaciais e acabaram encontrando aplicações na Terra. Spin-off é a expressão inglesa usada para denominar casos nos quais as tecnologias, desenvolvidas no contexto dos programas espaciais, são usadas em atividades fora desse setor. A produção de lançadores em países desenvolvidos, por exemplo, possibilitou o aparecimento de vários produtos, como materiais carbonosos para altas temperaturas hoje utilizados como isolantes nas centrais nucleares para geração de energia elétrica e nos discos de freios de todos os aviões militares, comerciais de grande porte e nos carros de Fórmula 1. Foi a partir da pesquisa espacial, também, que surgiram as camadas anti-reflexão para televisores; óculos com proteção solar; aços de ultra-alta-resistência utilizados em blindagens, grandes eixos, trens de pouso de aviões e de helicópteros e roupas com proteção para altas temperaturas e para manuseio de produtos químicos de alta toxidade. No Brasil, alguns produtos desenvolvidos pelo programa espacial já fazem parte de nosso dia-a-dia. O Centro Técnico Aeroespacial (CTA) desenvolveu tecnologia para produção de perclorato de amônio – material oxidante constituinte dos combustíveis dos foguetes. Atualmente, a empresa AEQ exporta esse produto e produz como subproduto dele o ácido perclórico, até então totalmente importado pela indústria nacional. Juntamente com o Centro de Pesquisas da Petrobras, o CTA desenvolveu uma resina líquida reativa de polibutadieno usada em combustíveis e em rações animais. Com a Termomecânica foram desenvolvidos tubos de alumínio sem costura. A tecnologia brasileira eliminou a dependência externa para a aquisição de foguetes bélicos de uso aéreo e ainda desenvolveu guias de válvulas de motores. A pesquisa espacial brasileira desenvolveu, ainda, o aço 300M. Uma interação entre o CTA com quatro empresas brasileiras: a Eletrometal (hoje VILLARES), a Usiminas, a Acesita e a Wotan. A junção de esforços permitiu a criação de um aço de alta-resistência e baixo peso. O aço é utilizado na fabricação do envelope motor-componente do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Ao longo do tempo outras aplicações foram encontradas para ele. Atualmente, o aço 300M é utilizado na fabricação de trens de pouso de aeronaves comerciais.