MINISTRO DEFENDE INVESTIMENTOS NA BASE DE ALCÂNTARA E PEDE MAIS RECURSOS
Publicado em: Brasília, 8 de dezembro de 2011

Brasília, 08 de dezembro de 2011  – O ministro da Ciência e Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, defendeu nesta quarta-feira (7) o caráter estratégico dos investimentos feitos no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Segundo o ministro, por estar localizada em uma península a apenas dois graus de latitude da linha do equador, a base de Alcântara representa eficiência técnica não só na área de lançamento de foguetes, mas também de segurança.

“Alcântara é a base melhor posicionada no mundo para o lançamento de foguetes de órbita equatorial”, afirmou Mercadante, que participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Ele explicou que a localização em baixa latitude reduz em cerca de 30% o gasto de combustível nos lançamentos. Além disso, por estar em uma península, a base também torna quase nulo o risco de acidentes com consequências para regiões próximas.

O ministro pediu o envolvimento de parlamentares no projeto, a fim de garantir mais recursos no Orçamento de 2012 para a conclusão das obras em Alcântara. O projeto orçamentário, enviado pelo Executivo, prevê R$ 82 milhões, mas a estimativa de gastos com as obras é de cerca de R$ 500 milhões.

Segundo o ministro, em torno de R$ 200 milhões já foram investidos na Alcântara Cyclone Space – empresa binacional (Brasil-Ucrânia) criada em 2007 para desenvolver tecnologia aeroespacial. Ele destacou, porém, a necessidade de acelerar as obras de Alcântara para permitir o lançamento do foguete de grande alcance Cyclone-4 em novembro de 2013.

O objetivo principal do Cyclone-4 é permitir a exploração do mercado de lançamentos satélites, que movimenta, segundo o ministro, US$ 200 bilhões. “Cerca de 70% do foguete já está pronto e esperamos que as obras possam continuar em ritmo acelerado para cumprirmos o cronograma de lançamento”, disse Mercadante.

O ministro acrescentou que o investimento na base de Alcântara vai permitir ao País aprimorar os sistemas de telecomunicações, de monitoramento terrestre e de meteorologia, assim como o sistema de alerta contra desastres naturais.

Ucrânia
O deputado Claudio Cajado (DEM-BA) ressaltou a importância da Ucrânia como parceira do Brasil na área. “Tive a oportunidade de visitar a Ucrânia por cinco vezes e constatei que existe lá uma enorme capacidade ociosa de recursos humanos”, disse Cajado.

Para ele, essa é uma oportunidade de o Brasil garantir mão de obra especializada para capacitar seu próprio pessoal. “Principalmente se considerarmos o momento de crise na Europa”, observou.

Já o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que propôs a audiência, defendeu o uso estratégico de Alcântara como reforço da independência do País em termos de defesa nacional. “Não temos até hoje um satélite exclusivamente brasileiro, uma vez que tudo o que temos faz parte de parcerias com outros países”, disse o parlamentar, que também defendeu a inclusão de mais recursos no Orçamento para a base de Alcântara.

Empresas
O ministro Aloizio Mercadante disse ainda que o setor privado brasileiro precisa mudar de atitude em relação aos investimentos em ciência e tecnologia. “Criamos uma cultura passiva. Os empresários ainda acham que, para modernizar, basta importar uma máquina moderna”, disse.

Segundo ele, o setor privado brasileiro investe 0,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. “A Finlândia investe quase 4% do PIB; o Japão, quase 3%. Nos dois casos, a maior parte vem do setor privado”, comparou.