Veículos Lançadores
Os veículos lançadores ou foguetes espaciais são peças fundamentais para o desenvolvimento da astronáutica, sendo capazes de lançar ao espaço instrumentos como sondas interplanetárias que revelam segredos de planetas distantes e satélites com variadas funções. O desenvolvimento desses veículos, orbitais e sub-orbitais, é de importância estratégica ao País, pois garante a necessária autonomia para o acesso ao espaço.
O Brasil, por meio do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA) e da indústria aeroespacial, concebeu e produziu um bem-sucedido conjunto de veículos de sondagem. Esses foguetes proporcionaram a realização de inúmeros experimentos científicos e tecnológicos.
O domínio da tecnologia dos foguetes de sondagem serviu de base para o desenvolvimento de um Veículo Lançador de Satélites (VLS), um artefato de quatro estágios, com cerca de 50 toneladas na decolagem, capaz de lançar satélites de 100 Kg a 350 Kg, em altitudes de 200 Km a 1000 Km.
Foguetes de Sondagem
Os foguetes de sondagem são utilizados para missões suborbitais de exploração do espaço, capazes de lançar cargas-úteis compostas por experimentos científicos e tecnológicos. O Brasil possui veículos operacionais dessa classe, que suprem boa parte de suas necessidades, com uma história bem-sucedida de lançamentos.
O projeto iniciou-se em 1965, quando o foguete Sonda I fez o voo inaugural, constituindo-se no primeiro lançamento de um foguete nacional. Esse lançamento foi realizado no Campo de Lançamento de Foguetes da Barreira do Inferno (CLBI). Durante um período de 12 anos, foram realizados mais de 200 experimentos com foguetes desse tipo.
A política de envolvimento crescente das universidades e centros de pesquisa no programa espacial vem acarretando uma demanda maior desses veículos, o que tem levado à continuação de sua produção.
Sonda I
O Sonda I foi projetado para ser aplicado em estudos da alta atmosfera e se destinava a transportar cargas-úteis meteorológicas de 4,5 kg a 70 km de altitude. Esse foguete serviu, principalmente, como escola no campo de propelentes sólidos e outras tecnologias e para o desenvolvimento de foguetes de curto alcance.
Ficha Técnica:
Comprimento total: 3,1 m
Diâmetro máximo: 0,127 m
Nº de estágios: 2
Massa Total: 59 kg
Massa da Carga-Útil: 4,5 kg
Apogeu: 70 km
Sonda II
A partir de 1966, o Sonda I evoluiu para o foguete monoestágio Sonda II, desenvolvido para transporte de cargas-úteis científicas e tecnológicas, de 20 Kg a 70 Kg, para experimentos na faixa de 50 Km a 100 Km de altitude, com inovações tecnológicas em relação ao Sonda I, como novas proteções térmicas, novos propelentes e eletrônica modernizada.
Ficha Técnica:
Comprimento total: 4,534 m
Diâmetro máximo: 0,300 m
Nº de estágios: 1
Massa Total: 368 kg
Massa da Carga-Útil: 70 kg
Apogeu: 100 km
Sonda III
Em 1969, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) iniciou o desenvolvimento do foguete biestágio Sonda III. Ele utiliza propelente sólido e é capaz de transportar cargas-úteis científicas e tecnológicas de 50 Kg a 150 Kg para experimentos na faixa de 200 Km a 650 Km de altitude.
Esse veículo recebeu, pela primeira vez, sistemas de instrumentação completo, de separação de estágios, de ignição para o segundo estágio, de teledestruição, de controle de altitude dos três eixos da carga-útil, de recuperação da carga no mar, além de muitos dispositivos eletrônicos. O primeiro protótipo voou em 26 de fevereiro de 1976.
Ficha Técnica:
Comprimento total: 6,985 m
Diâmetro máximo: 0,557 m
Nº de estágios: 2
Massa Total: 1.548 kg
Massa da Carga-Útil: 150 kg
Apogeu: 650 km
Sonda IV
A partir de 1974, foram desenvolvidos foguetes equipados com sistemas de pilotagem automática, que levou ao projeto do foguete biestágio Sonda IV. Este utiliza propulsores carregados com propelente sólido, visando obter o domínio das tecnologias imprescindíveis para o desenvolvimento do Veículo Lançador de Satélites (VLS). O Sonda IV foi utilizado para o transporte de cargas-úteis científicas e tecnológicas de 300 Kg a 500 Kg para experimentos na faixa de 700 Km a 1000 Km de altitude.
Ficha Técnica:
Comprimento total: 9,185 m
Diâmetro máximo: 1,000 m
Nº de estágios: 2
Massa Total: 6.917 kg
Massa da Carga-Útil: 500 kg
Apogeu: 1000 km
VS-30
Nos meados da década de 1980, começou o desenvolvimento, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do foguete de sondagem monoestágio, o VS-30. Ele corresponde ao primeiro estágio do Sonda III. Este foguete pode efetuar missões com cargas-úteis científicas e tecnológicas de até 260 kg em trajetórias de 160 km de apogeu.
Ficha Técnica:
Comprimento total: 7,428 m
Diâmetro máximo: 0,557 m
Nº de estágios: 1
Massa Total: 1.460 kg
Massa da Carga-Útil: 260 kg
Apogeu: 160 km
VS-40
Em 2 de abril de 1993, foi lançado, com sucesso, o foguete VS-40, com o objetivo de realizar teste do quarto estágio do Veículo Lançador de Satélites (VLS), em ambiente de vácuo. O veículo atingiu o apogeu com 950 km altitude, e um alcançou 2.680 km. Este foguete pode efetuar missões com cargas-úteis científicas e tecnológicas de até 500 kg em trajetórias de 650 km de apogeu.
Ficha Técnica:
Comprimento total: 6,725 m
Diâmetro máximo: 1,000 m
Nº de estágios: 1
Massa Total: 6.235 kg
Massa da Carga-Útil: 500 kg
Apogeu: 650 km
VSB-30
Em 2004, tiveram início os lançamentos do VSB-30 , versão do foguete VS-30 acrescido de um estágio para aumentar a capacidade de carga-útil e tempo de microgravidade. O desenvolvimento do veículo começou em meados de 2000, fruto de uma cooperação entre as agências espaciais Brasileira (AEB) e Alemã (DLR).
O VSB-30 é um veículo de 12 metros de comprimento e mais de duas toneladas, criado para contribuir com o avanço da ciência ao permitir a execução de experimentos, sejam científicos, sejam tecnológicos. Sua letras significam Veículo de Sondagem Booster – 30.
Ficha Técnica:
Comprimento total: 12,6 m
Diâmetro máximo: 0,57 m
Nº de estágios: 2
Massa Total: 2.570 kg
Massa da Carga-Útil: 400 kg
Apogeu: 270 km
Veículo Lançador de Satélite
Para se chegar ao modelo atual do VLS-1, foram analisadas quinze concepções, chegando-se, ao final, à configuração em cluster, com quatro propulsores geometricamente distribuídos em torno de um corpo central, configuração semelhante à utilizada em diversos lançadores operacionais. O seu desenvolvimento é uma consequência natural de aproximadamente 25 anos de experiência acumulada pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (
IAE) em foguetes de sondagem.
O VLS-1 tem a característica de ser um veículo convencional, da classe dos pequenos lançadores, com quatro estágios que totalizam um comprimento de 19 metros e massa total na decolagem de 50 toneladas. A propulsão é garantida por motores a propelente sólido, em todos os estágios, e possui capacidade de colocar em órbita circular de 250 Km a 1000 Km de altitude satélites de 100 Kg a 300 Kg.
O VLS-1, atualmente, é o principal projeto totalmente nacional na área de lançadores de satélites e encontra-se na fase de qualificação em voo. Até o presente, foram construídos três protótipos e efetuados dois lançamentos a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (
CLA). Nos lançamentos dos protótipos V01 e V02, realizados entre 1997 e 1999, respectivamente, problemas técnicos comprometeram o cumprimento da missão como um todo, mas não impediram a qualificação em vôo de diversos componentes do veículo. O protótipo V03, cujo lançamento deveria ter ocorrido em 2003, resultou em acidente, em 22 de agosto daquele ano, antes da tentativa de lançamento.
Nos lançamentos de qualificação, o VLS foi programado para cumprir a seguinte trajetória:
Trajetória no lançamento do VLS
Crédito: IAE
Ficha Técnica:
Comprimento total: 19 m
Diâmetro máximo: 1 m
Nº de estágios: 4
Massa Total: 50.000 kg
Massa da Carga-Útil: 300 kg
Apogeu: 1000 km