IMAGENS CBERS IDENTIFICAM ÁREAS ATINGIDAS PELAS ENCHENTES NO RN
Publicado em: Brasília, 5 de agosto de 2008

O Grupo de Geoprocessamento do Centro Regional do Nordeste do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CRN/INPE), instalado em Natal, apresentou os primeiros resultados do estudo sobre os “Efeitos das Enchentes de Março-Abril/2008 em 9 municípios localizados na jusante da barragem do Reservatório Armando Ribeiro Gonçalves”, que fica na região do Baixo Assú, no Rio Grande do Norte.

Nove municípios da região sofreram perdas nos setores de fruticultura, industrialização do sal e criação de camarões e tilápia. O estudo que identificou e mapeou as áreas atingidas pela enchente foi baseado nas imagens do satélite sino-brasileiro CBERS-2B, que são distribuídas gratuitamente pelo INPE através da internet: www.dgi.inpe.br/CDSR

“Comparamos imagens de 23 de fevereiro e de 15 de abril e acrescentamos aos mapas temáticos as informações sobre agricultura, aqüicultura e as salinas”, explica o Dr. Sergio Almeida, responsável pelo estudo. Para o processamento das imagens do satélite sino-brasileiro CBERS-2B os técnicos utilizaram o Spring 4.3, um sistema de informações geográficas (SIG) desenvolvido pelo INPE.  

Os resultados preliminares mostram perdas significativas. No total, 5.800 hectares foram alagados, principalmente nos municípios de Ipanguaçú (2.068 ha), Carnaubais (1.870 ha) e Assú (1.110 ha). Na aqüicultura, a enchente atingiu cerca de 5.000 hectares. E todos os marnéis de cristalização do setor salineiro foram afetados. A comparação das imagens de satélite mostra claramente o avanço das águas. “A distribuição gratuita das imagens CBERS facilita esse tipo de avaliação”, destaca o engenheiro Miguel Cuellar, coordenador do Grupo de Geoprocessamento do CRN/INPE. 

O estudo foi apresentado no dia 21 de maio durante a III Reunião Técnica dos Planos de Desenvolvimento Sustentável das Regiões Assú e Mossoró, evento promovido pela Secretaria Estadual de Planejamento e Finanças (SEPLAN-RN) em que participaram agentes governamentais e especialistas do Instituto Interamericano de Cooperação na Agricultura (IICA) e das universidades Federal e Estadual (UFRN e UERN). Os mapas e resultados do estudo serão empregados pela SEPLAN-RN para avaliar os danos e elaborar um Plano de Recuperação a ser encaminhado à Presidência da República e ministérios. 

A região do Baixo Assú apresenta clima quente e seco, onde predomina a Caatinga e cuja hidrografia é formada por rios temporários de leito seco na maior parte do ano. As águas das represas artificiais, como a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, são aproveitadas para abastecimento e perenização do rio, utilizado ainda na irrigação de projetos de fruticultura. Empresários do setor, que gera cerca de 10 mil empregos na região, afirmam que os prejuízos com as enchentes chegam a 70 milhões de dólares. O Rio Grande do Norte é um dos principais produtores de frutas do país e o maior exportador de bananas.