ESTUDANTES DA UNB LANÇAM EXPERIMENTO ESPACIAL COM SUCESSO
Publicado em: Brasília, 16 de maio de 2014

Brasília, 16 de maio de 2014 – Estrutura que simula um satélite artificial em desenvolvimento na Universidade de Brasília (UnB) dentro do projeto LaicanSat faz o primeiro voo após um ano de estudos. O teste ocorreu no início do mês próximo a Padre Bernardo, cidade a 115 quilômetros de Brasília.

O artefato – uma caixa de poliestireno expandido (isopor) com GPS, câmeras e sensores – ficou cerca de duas horas no ar e coletou imagens e dados climáticos, como temperatura e pressão atmosférica.

O lançamento, feito de um balão de hélio que estourou ao atingir 27 Km de altitude, foi bem-sucedido, segundo Renato Borges, coordenador do grupo de pesquisa responsável pelo experimento. Isso porque foi ao encontro de simulações e testes realizados anteriormente e aterrissou a menos de 10 Km do local de decolagem.

“Estamos na sexta posição no quesito menor distância entre local de lançamento e pouso, de acordo com o site Amateur Radio High Altitude Ballooning (Arhab). A página lista experimentos de radioamadores com balões de alta altitude realizados no mundo inteiro”, conta. “Quanto mais previsível for o local de pouso, melhor, pois se reduz possíveis transtornos na coleta da carga”, explica Borges. “Mas isso depende do objetivo da missão”, completa.

Para ajudar no rastreamento do voo, o grupo teve a ajuda de radioamadores, com destaque para o Grupo Mutum de Rádio Expedição, parceiro da UnB neste lançamento. A queda do aparato foi amortecida por um paraquedas.

Simulação – O projeto LaicanSat prevê que o artefato possa ser lançado de balões e foguetes de pequeno porte e tenha tamanho e formato diferentes a depender da missão a ser realizada.  “Uma estrutura cilíndrica de fibra de vidro foi projetada conforme padrões internacionais de lançamento de CanSat – do inglês  “can” (lata) e “sat” (satélite) –,  o que inspirou o nome LaicanSat”, conta Borges.

Segundo o pesquisador, o experimento não ultrapassa a atmosfera terrestre, mas alcança a estratosfera, que fica entre 10 e 50 km de altitude do solo. A essa distância é possível simular etapas de uma missão espacial com satélites de modo satisfatório. “A intenção é capacitar pessoas para atuar no setor e desenvolver tecnologias de menor custo, tornando o espaço mais acessível”, justifica.

Ainda de acordo com Borges, a plataforma pode ser usada em futuros testes com diferentes substâncias, materiais e sistemas. “Em altas altitudes, há condições específicas de temperatura, pressão e radiação ultravioleta, diferentes daquelas observadas na superfície terrestre”, destaca. “O LaicanSat pode atingir 45 km de altitude, quase o limite da estratosfera. Aviões, em geral, voam, no máximo, a 15 quilômetros do solo”.

O LaicanSat-1 é uma das iniciativas do Laboratório de Aplicação e Inovação em Ciências Aeroespaciais (Laica), criado na UnB em 2013 com o objetivo de realizar estudos e projetos na área. O laboratório reúne pesquisadores com diferentes formações, em áreas como Física, Mecânica, Eletrônica e Aeroespacial.

O projeto teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Fonte: site da UnB