ESPAÇO É ESTRATÉGICO PARA O PAÍS
Publicado em: Brasília, 27 de abril de 2011

Os satélites têm uma importância realmente estratégica para o Brasil. Mesmo se considerarmos apenas o caso dos satélites de telecomunicações, vale lembrar que o Brasil, por sua extensão territorial e sua posição geográfica privilegiada, entre o equador terrestre e o trópico de Capricórnio, é um dos países que mais benefícios pode obter da cobertura desse tipo de comunicação. Sob o território brasileiro, dispomos de um arco geoestacionário de mais de 30 graus sob a linha do equador.

Além disso, poderíamos explorar os serviços de lançamento de satélites de todos os tipos e oferecer ao mundo a Base de Alcântara, no Maranhão, que está em excelente posição, bem próxima do equador, melhor que de Kourou da Guiana Francesa, e muito melhor que a dos Estados Unidos, no Cabo Canaveral, ou da Rússia, no Cazaquistão.

Muitos poderiam argumentar que o Brasil não dispõe de foguetes potentes para esses lançamentos. É verdade, mas enquanto não dispuser desses lançadores, o País poderia explorar apenas a base de lançamento, desde que devidamente aparelhada. Segundo estimativas que ouvi de especialistas, seriam necessários investimentos da ordem de US$ 2 bilhões para que Alcântara pudesse oferecer esses serviços ao mundo. O melhor, no entanto, é que o retorno de apenas três anos de operação dessa base pagariam esses investimentos e poderiam financiar até sua ampliação.

Vale lembrar que o Brasil dispõe de um programa de veículo lançador de satélites (VLS) razoavelmente avançado. Mas, como todos se recordam, o programa espacial brasileiro sofreu o seu mais duro golpe em 2003, com o trágico acidente da explosão do foguete na torre de lançamento de Alcântara, que matou 21 técnicos e especialistas.

Que fazer, então. Em minha opinião, o Brasil deveria retomar com muito mais determinação suas pesquisas e lançamentos, pois tem bastante conhecimento acumulado, além de contar com uma bases mais bem localizadas do mundo. Alcântara está a apenas 2,4 graus ao sul do equador. Lançar satélites geoestacionários nessa latitude economiza combustível e, por conseqüência, aumenta a vida útil dos satélites.

Além disso, seria muito oportuno se o Brasil desse muito maior prioridade a esse setor – inclusive com a colaboração de outros países, ou seja, em alianças com China, a França, Rússia ou os Estados Unidos.

Não tenho a menor dúvida de que essas alianças são viáveis e contam com antecedentes muito favoráveis. Imaginem que a Base russa de Baikonur é operada hoje pela empresa americana ILS (International Launching Services) e pela Agência Espacial Européia, com instalações especiais para o lançamento do foguete russo Protón-M. Até na base francesa de Kourou, na Guiana Francesa, há exemplos de alianças entre russos. Essa base está numa posição geográfica muito favorável, a cerca de 5 graus ao norte do equador.

Será que o governo federal tem consciência da importância dos satélites e da base de Alcântara?