DELEGAÇÃO ALEMÃ VISITA AEB
Publicado em: Brasília, 22 de setembro de 2008

Atendendo ao convite da Agência Espacial Brasileira (AEB), integrantes da Agência Espacial Alemã (German Space Agency – DLR) estiveram em Brasília nos dias 27 e 28 de agosto para discutir pontos de interesse entre os dois países. À frente de uma delegação composta por quatro pessoas, a Dra. Cornelia Riess, chefe da área de cooperação internacional, apresentou de forma clara e objetiva como a Agência Alemã tem atuado, falou das parcerias internacionais firmadas, dos programas em andamento e deixou clara a intenção de assinar um instrumento de cooperação com a AEB.

Recepcionados pelo presidente da AEB, Carlos Ganem, pelos diretores das áreas de políticas espaciais, desenvolvimento de satélites e transporte espacial, a reunião ocorreu em uma atmosfera amigável. “Quanto mais atores, coordenadores, repassadores e relacionadores o Brasil puder dispor, melhor. No meu ponto de vista, tenho ambições concretas para Alemanha. A AEB é a protagonista do Programa Espacial Brasileiro e não mera repassadora de orçamento. Cabe à Agência executar políticas de Estado e não de governo. Temos planos para Alcântara, a porta da Amazônia Verde. Estamos abertos para a constituição de um negócio novo, no qual a atividade espacial é apenas uma parte”, afirmou o presidente.

Brasil e Alemanha têm o mesmo olhar em relação às questões espaciais. Ambos os países entendem que a tecnologia espacial e terrestre podem alavancar a economia e fundamentar novos projetos políticos, abrindo novas possibilidades para o desenvolvimento da pesquisa e da ciência.

“Nossa meta é firmar uma parceria duradoura com o Brasil, no futuro”, enfatizou Dra. Cornelia Riess. Ela ressaltou três caminhos viáveis para ampliar a cooperação existente. O primeiro seria ciências espaciais e novas tecnologias, o segundo no âmbito da observação da Terra e o último, usar cada vez mais as universidades de ambos os países para pesquisa e acesso ao espaço. “As ciências de materiais são essenciais hoje em dia”, lembrou Cornelia Riess.

Já existe, atualmente, uma cooperação bilateral entre o DLR e as organizações de fomento brasileiras (CNPq e Fapesp) que fornecem bolsas de graduação e pós-graduação para o setor aeroespacial.
A Agência Espacial Alemã é ligada ao Ministério das Finanças, possui oito sucursais, seis mil colaboradores e 29 institutos de pesquisa, 11 deles ligados à pesquisa espacial. O orçamento total do DLR é de 300 milhões de euros por ano.

O presidente da AEB reafirmou a necessidade de integrar o trabalho espacial com outros países europeus da mesma forma como tem sido feito com a Alemanha, Ucrânia e Suécia.
“A presença da Agência Espacial Européia (ESA) tem sacrificado parte dos orçamentos dos países europeus no âmbito das atividades espaciais. Mas não vejo esse aspecto como um problema. Com o orçamento diminuído sobra interfaces para programas que o Brasil pretende desenvolver”.

Para ampliar as possibilidades de acordo entre o governo brasileiro e a República Alemã será feito um Ajuste Complementar para cooperação em desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica para a área espacial. Ao final da reunião foi assinada uma ata, na qual ficou clara a predisposição dos dois países de ampliar a cooperação mútua.