COMPETIÇÃO ESCOLHERÁ PRIMEIRA MULHER ALEMÃ A IR AO ESPAÇO
Publicado em: Brasília, 7 de março de 2017

A competição alemã “Die Astronautin” – “a astronauta”, em português – quer colocar a primeira mulher alemã no espaço. Em março de 2016, 400 mulheres entraram na competição, e, ontem, a agência de recrutamento aeroespacial HE Space anunciou que selecionou as seis candidatas finais. Se a missão privada tiver sucesso na arrecadação de fundos, uma dessas moças irá voar para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) durante dez dias, em 2020.

Ao promover uma competição tão grande, a HE espera que a Die Astronautin inspire mais garotas e mulheres a se interessarem por viagens espaciais. “Nós mostramos que as mulheres alemãs possuem as habilidades para ir para o espaço”, disse Claudia Kessler, CEO da HE Space, em um comunicado à imprensa. “Agora esperamos provar que as pessoas da Alemanha acreditam nessas candidatas.”

Para participar da Die Astronautin, as mulheres precisavam ter nacionalidade alemã com formação em engenharia ou ciência, idade entre 27 e 37 anos e estar em excelente condição física. Cada uma das 400 candidatas iniciais foram submetidas a testes físicos e mentais, diminuindo a seleção para apenas 60 candidatas. A partir daí, afunilaram a seleção para apenas seis pessoas.

Entre as finalistas está Insa Thiele-Eich, filha do astronauta alemão Gerhard Thiele, que ficou 11 dias no espaço em 2000, em uma missão do ônibus espacial Endeavor, da NASA. Em entrevista ao CollectSPACE, a meteorologista de 33 anos disse que não estava tentando seguir os passos do pai – na verdade, quando ela pediu conselhos para a competição, ele disse apenas para ela “ficar calma e se divertir”.

Assim como Thiele-Eich, quatro outras finalistas – Nicola Baumann, Suzanna Randall, Magdalena Pree, e Susanne Peters – possuem experiências profissionais com tecnologia aeroespacial. Apenas uma finalista, Lisa Marie Haas, não tem, embora seja uma engenheira de desenvolvimento de dispositivos eletrônicos. Se for selecionada, mãe de duas crianças, ela planeja criar um programa para aumentar o interesse dos pequenos sobre viagem espacial.

Na próxima fase da competição, duas mulheres serão selecionadas para treinar para a missão na EEI em 2020. No entanto, apenas uma delas irá para a Estação Espacial Internacional, e apenas se a iniciativa conseguir arrecadar os US$ 30 milhões necessários para seguir em frente. Para conseguir, a HE Space está iniciando uma campanha de financiamento coletivo e procurando patrocínios privados.

Independentemente de quem seja escolhida, a importância dessa competição não pode ser subestimada: obviamente, será histórico a Alemanha finalmente enviar uma mulher ao espaço, já que todos os 11 astronautas enviados pelo país até hoje foram homens. Mas isso também dará aos cientistas a oportunidade de obter mais informações sobre o impacto da viagem espacial nos corpos das mulheres, algo sobre o qual sabemos muito pouco até agora.

Em 2014, a NASA lançou o relatório mais completo já feito sobre como homens e mulheres são afetados pelo espaço – mas enquanto 477 astronautas homens foram estudados, apenas 57 mulheres foram analisadas. Como essa amostra era muito pequena, a recomendação oficial do relatório era “selecionar mais astronautas do sexo feminino para missões espaciais”.

Durante os dez dias que a astronauta alemã passará no espaço, o Centro Aeroespacial Alemão (DLR, na sigla em alemão) irá examinar como a microgravidade afeta seu corpo, especificamente o equilíbrio hormonal. De acordo com a Wired Germany, essa informação pode ser útil para uma futura missão para Marte.

Não importa qual candidata “ganhe” o Die Astronautin, este é definitivamente um passo gigante para as mulheres. O espaço precisa de mais delas.

Imagem do topo: HE Space

Fontes: Gizmodo Brasil e CollectSPACE.