BRASIL E CHINA ESTUDARÃO PROJETO PARA MAIS DOIS SATÉLITES
Publicado em: Brasília, 13 de junho de 2014

Brasília, 13 de junho de 2014 – O Grupo de Trabalho encarregado de desenvolver e detalhar o Plano Decenal de Cooperação Espacial entre Brasil e China reuniu-se a semana passada sob a condução do diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira (AEB), Petrônio de Souza, e do vice-diretor geral do Departamento de Sistema de Engenharia da Agência Espacial chinesa (CNSA), Li Guoping, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP). Participaram também o presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, e o diretor do Inpe, Leonel Perondi.

O Brasil e a China assinarão um Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Dados de Observação da Terra e suas Aplicações. O acordo é visto como de alta relevância para a implementação do Plano Decenal, assim, os dois países solicitarão a inclusão da cerimônia de assinatura do Memorando na agenda do presidente da China, Xi Jinping, em Brasília, no dia 14 de julho.

A China vai sugerir mudanças na proposta brasileira de Governança do Plano Decenal, baseada na longa experiência do Programa Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers). Os chineses preferem substituir o sugerido Program General Coordination Comission – Comissão Coordenadora Geral do Programa (PGCC), mais específico, por Sub Comissão de Cooperação Espacial da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). O assunto será discutido na próxima reunião, marcada para setembro próximo.

Os preparativos para o lançamento do Cbers-4 em dezembro deste ano foram examinados em detalhes. Todas as suas etapas de montagem, integração e testes têm sido cumpridas normalmente. O satélite passará pela Revisão Final de Projeto (FDR, na sigla em inglês) no início de setembro, para ser enviado ao centro de lançamento de Tayuan, na China.

O lançamento do Cbers-4 foi antecipado para este ano após a falha no lançamento do foguete chinês Longa Marcha 4B, em dezembro de 2013, que causou a perda do Cbers-3. Três satélites Cbers já foram lançados: o 1, em 1999, o 2, em 2003, e o 2B, em 2007. O Programa Cbers, desde o início, desempenha papel essencial no desenvolvimento da indústria espacial nacional. A política industrial brasileira no setor qualifica fornecedores e encomenda serviços, componentes, equipamentos e subsistemas junto a empresas nacionais.

Capacitação – A China estudará as propostas da AEB e do Inpe de cooperação na formação de recursos humanos para a área espacial. A meta da Agência é enviar estudantes brasileiros pós-graduados, engenheiros, tecnólogos e pesquisadores a instituições chinesas científicas, tecnológicas e industriais com base em acordos.

O programa inclui ainda a possibilidade de trazer pesquisadores e especialistas chineses para trabalhar em universidades e indústrias brasileiras durante certo tempo. A iniciativa da AEB é financiada por bolsas do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF). O Inpe também propõe intercâmbio de estudantes e pesquisadores em diferentes áreas espaciais na base de iniciativas bilaterais estabelecidas em parceria com instituições espaciais chinesas.

A China consultará seus usuários internos e os órgãos de governo pertinentes sobre a viabilidade do satélite Cbers-4A, proposto pela AEB. Um Grupo de Trabalho especial foi criado para estudar o projeto e apresentar relatório até meados de julho próximo.

No campo das aplicações do sensoriamento remoto, Brasil e China promoverão campanha de calibração conjunta e cooperação na definição de produtos, suas especificações e formatação. Seguirão também discutindo a distribuição de dados do Cbers-4 com base no Memorando de Entendimento a ser assinado. E ainda promoverão pesquisa conjunta com outros parceiros do Brasil e da China em diferentes campos de aplicação.

Quanto à cooperação em clima espacial, o Plano Decenal terá duas fases. A primeira é a conclusão de um acordo até 2016, criando um laboratório bilateral, dotado de central para os dados coletados nas pesquisas conjuntas; um escritório e um local para a instalação de receptores GPS, um Lidar (tecnologia de sensoriamento remoto que mede distâncias iluminando o alvo com laser e analisando a luz refletida), uma sonda digital e um magnetômetro (instrumento que mede a intensidade, direção e sentido de campos magnéticos em sua proximidade).

A segunda é a elaboração de um Programa Avançado de Pesquisa; um Estudo de Longo Prazo sobre a Anomalia Magnética do Atlântico Sul; a criação de um banco de dados baseado nas informações do Monitor do Ambiente Espacial a bordo do Cbers e de outras fontes de aplicação satelital; e promoção de campanhas de coleta de dados de satélite no Brasil e na China, entre outros itens de cooperação.

O Brasil e a China também resolveram formar um GT para discutir a cooperação em satélites de meteorologia, que deverão ser desenvolvidos e construídos em conjunto por ambos os países. E, ainda, seguir examinando a cooperação em satélites de comunicação, buscando encontrar meios, formas e canais para efetivar essa cooperação.

Delegações – A delegação chinesa foi formada por três membros da CNSA, um da Academia Chinesa de Ciência (CAS), um da Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (Casc), quatro da Academia de Ciência e Tecnologia da China (Cast), três da Academia de Tecnologia de Voos Espaciais de Xangai (Sast), três da Corporação Industrial Chinesa A Grande Muralha (CGWIC), três do Centro Chinês de Recursos Satelitais: Dados e Aplicações (Cresda).

A delegação foi integrada por 26 pessoas. Pela AEB, além do presidente e do diretor de Política Espacial, participaram o diretor de Planejamento, Orçamento e Administração, José Iram Barbosa, o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, José Monserrat Filho, e a chefe de gabinete da presidência, Maria do Socorro de Medeiros.

O Inpe foi representado, além do diretor geral, pelos tecnólogos e engenheiros Antônio Carlos de Oliveira Pereira Júnior, Coordenador do Segmento Espacial do Programa Cbers, Geilson Loureiro, chefe do Laboratório de Integração e Testes (LIT), Leila Maria Garcia Fonseca, coordenadora geral de Observação da Terra), Pawel Rozenfeld, chefe do Centro de Rastreio e Controle de Satélites, João Vianei Soares, especialista em Monitoramento Global da Agricultura e ex-membro executivo do Sistema de Sistemas de Observação Global da Terra, Amauri Silva Montes, coordenador geral de Engenharia e Tecnologia Espacial, Marco Antonio Bertolino, responsável pelo Subsistema WFI do Programa Cbers, Renato Henrique Ferreira Branco, Milton de Freitas Chagas Junior, Hilceia Santos Ferreira, Jun Tominaga, Clezio Marcos de Nardin, pesquisador da Geofísica Espacial-Aeronomia Equatorial, Antonio Carlos Teixeira de Souza, Heyder Hey, Douglas Francisco Marcolino Gheardi, chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto, Joaquim Eduardo Resende Costa, chefe da Divisão de Astrofísica, Marcelo Banik de Pádua, especialista em Sistemas de Navegação Espacial, José Antônio Aravéquia, coordenador-geral do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTec) e Rozani Fonseca Silva, Assessora de Cooperação Internacional.

Coordenação de Comunicação Social (CCS-AEB)

Foto: Inpe/Divulgação – Reunião da Cosban discutindo questões ligadas ao programa Cbers.