COMISSÃO DA CÂMARA DISCUTE POTENCIAL DO CENTRO DE LANÇAMENTO DE ALCÂNTARA
Publicado em: Brasília, 9 de junho de 2017

O potencial e a importância do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, foram temas discutidos em audiência pública, na última quarta-feira (07.06), na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

O Centro de Lançamento de Alcântara opera há 34 anos, desde sua inauguração, em 1º de março de 1983. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), a unidade já lançou 475 veículos ao espaço. O Centro também realiza atividades na área de administração, logística, pessoal, saúde, segurança, entre outras.

Segundo o diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Augusto Amaral Oliveira, por ter uma localização estratégica – próxima à Linha do Equador –, o centro gera uma economia de até 30% no uso de combustível para o lançamento de cargas úteis ao espaço. Essa característica faz que o CLA tenha vantagem e gere uma competição em relação a outros centros de lançamento.

O chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB), André Rypl, falou da preparação de um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) que está em fase de elaboração pelo governo federal para que outros países possam realizar lançamentos a partir de Alcântara. Quando finalizado, o acordo será enviado ao Congresso Nacional para avaliação e votação.

Objetivo do AST

André aproveitou a oportunidade e explicou o objetivo do AST, que é atender os interesses do Programa Espacial Brasileiro e, consequentemente, gerar recursos, capacitação, transferência de tecnologia e aprimoramento de atividades espaciais. “Serão assinados com países que quiserem usar a nossa tecnologia. É um acordo que assegura os interesses dos dois lados, com o objetivo de proteger a tecnologia”, explica.

Para André em função do peso das tecnologias norte-americanas na indústria espacial mundial, é impossível que o Brasil se desenvolva na área sem firmar essas parcerias. “Elas não devem ser entendidas como alinhamentos políticos, mas apenas para prover conhecimento. Somente serão acordadas com países que quiserem usar a nossa tecnologia”, orienta. Rypl ainda esclareceu que o acordo não compromete o controle da unidade, que continuará sendo feito exclusivamente pelo governo brasileiro.

Atualmente, o CLA já mantém acordos comerciais com outros países, como Rússia e Ucrânia. “Não existe o menor risco de perda de soberania. Só acontecerá aquilo que o Brasil entender que é bom pra si”, justifica o Tenente-Brigadeiro Amaral, que ainda informou que todo o processo será tramitado e votado no Congresso Nacional.

Coordenação de Comunicação Social – CCS

Foto: FAB