CBERS-2B COMPLETA 1 ANO EM ÓRBITA
Publicado em: Brasília, 22 de setembro de 2008

O CBERS-2B completa um ano em órbita nesta sexta-feira, 19 de setembro. Como ainda está em operação o CBERS-2, lançado em outubro de 2003, pela primeira vez o Brasil conta com dois instrumentos próprios para vigiar o seu território com melhor capacidade e freqüência de observação.

O CBERS-2B é o terceiro lançado pelo Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, na sigla em inglês), em cooperação com a China. Até 2013, estão previstos os lançamentos de mais dois satélites: CBERS-3 e CBERS-4.

O satélite possui três câmeras imageadoras a bordo: CCD, WFI e HRC. Esta diversidade de câmeras atende a múltiplas necessidades – do planejamento urbano, que requer alta resolução espacial, a aplicações que precisam de dados freqüentes mas não tão detalhados, como monitorar desmatamentos.

Inovação do CBERS-2B, a HRC produz imagens de uma faixa de 27 km de largura com resolução espacial de 2,7 metros, em uma região espectral pancromática única. Suas imagens em alta resolução de todas as capitais brasileiras e de algumas áreas de países da América do Sul estão disponíveis na página:
http://www3.dgi.inpe.br/pesquisa2007/galeria/
linux_E_galeria/galeriaCD.html

Imagens gratuitas
O CBERS fez do Brasil o maior distribuidor de imagens de satélite do mundo. Além dos usuários brasileiros, as imagens CBERS são fornecidas gratuitamente para países da América do Sul que estão na abrangência das antenas de recepção do INPE em Cuiabá (MT). O download gratuito das imagens é feito a partir do site www.obt.inpe.br/catalogo

Desde junho 2004, quando as imagens ficaram disponíveis na internet, até o dia 17 de setembro deste ano, foram distribuídas 488.760 mil imagens CBERS para cerca de 15 mil usuários de várias instituições públicas e privadas, comprovando os benefícios econômicos e sociais da oferta gratuita de dados.

Apenas em 2008, já foram distribuídas 108.866 imagens CBERS. Destas, 60.257 são do satélite CBERS-2B, sendo 14.478 da câmera de alta resolução HRC. E estes são números que não param de crescer. Em média têm sido registrados diariamente 650 downloads no Catálogo CBERS e a cada mês aumentam os pedidos de imagens.

Além do fornecimento de imagens de satélite, que contribuiu para a popularização do sensoriamento remoto e para o crescimento do mercado de geoinformação brasileiro, o Programa CBERS promove a inovação na indústria espacial nacional, gerando empregos em um setor de alta tecnologia fundamental para o crescimento do País.

Histórico
Assinado em 1988, o acordo de cooperação entre Brasil e China contemplava o desenvolvimento e construção de dois satélites de sensoriamento remoto que também levassem a bordo, além de câmeras imageadoras, um repetidor para o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais. Os equipamentos foram dimensionados para atender às necessidades dos dois países, mas também para ingressar no emergente mercado de imagens de satélites.

Em 2002, foi assinado o acordo para a continuação do programa, com a construção de dois outros satélites – os CBERS-3 e 4, com novas cargas úteis e uma nova divisão de investimentos de recursos entre o Brasil e a China – 50% para cada país (nos primeiros satélites a divisão foi de 70% para a China e 30% para o Brasil). Porém, para garantir o fornecimento das imagens até o lançamento do CBERS-3, previsto para 2010, o Brasil e a China decidiram em 2004 construir o CBERS-2B, lançado em setembro do ano passado.

O Programa CBERS é um exemplo bem-sucedido de cooperação Sul-Sul em matéria de alta tecnologia e é um dos pilares da parceria estratégica entre o Brasil e a China. O CBERS é hoje um dos principais programas de sensoriamento remoto em todo o mundo, ao lado do norte-americano Landsat, do francês Spot e do indiano ResourceSat.