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Buraco negro gigante devora a cada 2 dias massa equivalente ao Sol

Publicado em: 17/05/2018 17h15 Última modificação: 24/05/2018 08h51

Um buraco negro gigante, do tamanho de cerca de 20 bilhões de sóis, que cresce a uma taxa de 1% a cada milhão de anos foi detectado por astrônomos da Universidade Nacional Australiana (ANU), em Canberra.O buraco, localizado a 12 bilhões de anos-luz da Terra, devora a cada dois dias uma massa equivalente ao Sol, engolindo poeira, gás, pedaços de destroços celestes e tudo mais que caia em sua poderosa influência gravitacional.

Segundo Christian Wolf, principal autor do estudo e astrônomo da ANU, caso esse buraco negro estivesse no centro de nossa galáxia (o sol dista 26 mil anos luz de distância desse centro), ele seria dez vezes mais brilhante do que a Lua cheia, e apareceria como uma estrela incrivelmente brilhante no céu, capaz de ofuscar todas as outras. “Provavelmente a vida na Terra seria impossível, por conta das enormes quantidades de raios X emitidas por ele”, afirmou Wolf.

Crescimento recorde

A equipe de astrônomos verificou que o crescimento do buraco é recorde, sendo considerado o buraco negro mais rápido em questão de crescimento, e também o maior já detectado. A equipe ressaltou ainda, que este buraco negro supermassivo está expelindo luz ultravioleta e raios X a uma taxa que teoricamente, tornaria toda a galáxia estéril. Acredita-se que a luz que dele emana não provém de seu centro – tudo aquilo que está “ladeira abaixo” do chamado “horizonte dos eventos” – mas do próprio atrito da matéria em rápida aceleração no entorno desse horizonte.

“Com índice de crescimento gigantesco e expelindo gases, os buracos negros ajudam a limpar a névoa ao seu redor por meio da ionização dos gases, o que torna o Universo mais transparente”, afirmou Wolf.

O buraco negro supermassivo impressiona pela taxa de crescimento. Sua designação, QSO SMSS J215728.21-360215.1, assim como ele, é igualmente grande, mas J2157-3602 é usado para designá-lo de forma mais “breve”.

O buraco negro foi detectado pelo telescópio SkyMapper do observatório de Siding Spring da ANU, situado a cerca de 480 km a noroeste de Sydney. Para caracterizá-lo, foram usados três instrumentos diferentes, o satélite Gaia da ESA, o satélite explorador para pesquisa com infravermelho de grande campo da Nasa, além do observatório de Siding Spring da ANU.

O que são buracos negros

Buracos negros são regiões do espaço muito especiais. Embora sejam indetectáveis por não emitirem luz, elas representam o ponto final da vida de muitas estrelas a partir de certa massa. São, portanto, objetos astrofísicos de enorme interesse. Nelas o chamado “tecido do espaço tempo” é torcido e misturado como consequência de uma enorme concentração de massa, de forma que se diz que “nada lhes pode escapar”, nem mesmo a luz. Assim, eles são invisíveis, mas podem “devorar” qualquer coisa que deles se aproxime. Portanto, sua presença é detectada facilmente pelo estrago que causam a tudo que está em sua vizinhança.

Fonte: Coordenação de Comunicação Social
Colaboração: Ademir Xavier, tecnologista da AEB

Foto: Ilustração NASA

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