BRASIL INAUGURA TELESCÓPIO RUSSO PARA MONITORAR LIXO ESPACIAL
As novas imagens geradas pelo telescópio russo têm a localização exata dos detritos, que temporariamente ficarão armazenadas no Brasil, e depois enviadas para o telescópio gêmeo, em Moscou, onde serão analisadas.
Publicado: 10/04/2017

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, participou na última quarta-feira (5.04), na cidade de Brazópolis (MG) da inauguração do telescópio russo, instalado no Observatório Pico dos Dias.  O equipamento vai garantir o rastreamento e monitoramento do lixo espacial que representa hoje um dos maiores riscos às operações espaciais no mundo.

O termo de cooperação entre o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e a Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos), intermediado pela AEB consolidou o projeto que teve início em 7 de abril de 2016. A parceria não parou por aí, durante a cerimônia de inauguração, o diretor da Roscosmos, Igor Komarov, anunciou a instalação de mais duas estações de monitoramento no país.

Segundo declarou o diretor da Roscosmos, a poluição espacial é um problema internacional. “A importância de ter um telescópio que usa tecnologias inovadoras para detectar detritos espaciais é muito grande, e aqui no Brasil é relevante que esse tipo de tecnologia esteja sendo introduzido com base em universidades. Isso vai possibilitar que jovens aprendam sobre o espaço, e possam apoiar o desenvolvimento tecnológico e científico do Brasil”, destacou Komarov.

De acordo com o professor José Raimundo, a necessidade de a Rússia instalar o primeiro telescópio no Brasil criou uma ocasião favorável para o Brasil evoluir nas pesquisas acadêmicas na área espacial, principalmente no momento em que outras duas estações terrenas devem ser instaladas em território nacional.

Uso do espaço - “A Rússia já tinha um acordo desde 1997 com a AEB/MCTIC para uso pacífico do espaço, na área de satélites, e como eles precisavam de um telescópio no hemisfério Sul procuraram primeiro o Brasil”, ressaltou o diretor do LNA, Bruno Castilho.

Em fase de testes o telescópio detectou cerca de 200 detritos espaciais em apenas uma imagem. “Existe uma preocupação em proteger os satélites e, com isso, garantir que os serviços não sejam comprometidos. Tudo que utilizamos no dia a dia corre risco de interrupção caso um satélite em órbita seja danificado”, afirma Castilho.

Segundo o diretor da Research and Production Corporation “Precision Systems and Instruments”, Yuri Roy, o telescópio é da mais alta tecnologia russa, com equipamentos inovadores e complexos, capazes de detectar objetos entre 12 e 50cm a uma altura de 120 a 50 mil quilômetros, sendo possível localizar até 800 itens em uma noite. Além disso, como o sistema é automatizado, precisa-se de pouca mão de obra. A lista de alvos a serem analisados é preparada na Rússia e enviada por e-mail aos operadores brasileiros, que então fazem as observações solicitadas.

Yuri Roy informa ainda que a implementação do Panoramic Electro Optical System (Pan-Eos) no Brasil permitirá a formação e o desenvolvimento de recursos humanos altamente qualificados em uma área de grande importância para a segurança das atividades espaciais, além de contribuir com a segurança do Programa Espacial Brasileiro. O sistema também será responsável pela criação de uma base de dados referente à localização e às orbitas de objetos que poderão causar colisão com satélites artificiais.

As imagens geradas pelo equipamento também vão contribuir com a pesquisa brasileira, favorecendo estudos sobre asteroides, cometas e estrelas. Todos os dados e fotos ficarão disponíveis para a comunidade científica. Os interessados em ter acesso a esse material para fins científicos precisarão fazer uma requisição ao LNA. “Vamos ter acesso a uma grande quantidade de dados sem custos para o país”, disse Castilho.

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Coordenação de Comunicação Social