BRASIL E CHINA AMPLIAM ACORDO DE SATÉLITES E PAÍSES AFRICANOS RECEBERÃO DADOS DO CBERS
Publicado em: Brasília, 8 de junho de 2009

Durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, foram assinados memorandos para a recepção do satélite sino-brasileiro Cbers nas estações de Ilhas Canárias, África do Sul e Egito. Como ocorre no Brasil e na China, a distribuição das imagens vai contribuir para que governos e organizações do continente africano monitorem desastres naturais, desmatamento, ameaças à produção agrícola e riscos à saúde pública.

Na quarta-feira (20/5), o presidente Lula encerrou sua viagem à China com uma visita à Agência Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST), onde conheceu o satélite sino-brasileiro CBERS-3. No Brasil, os satélites são desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O Programa Sino-Brasileiro de Satélites de Recursos Terrestres (Cbers) é um dos exemplos mais bem-sucedidos de cooperação tecnológica entre países em desenvolvimento.

O protocolo pela continuidade e expansão do Programa Cbers oferece ainda ao Brasil a recepção dos dados dos satélites chineses HJ-1A e HJ-1B na estação de Cuiabá, operada pelo Inpe.

Os termos específicos do acordo de recepção dos dados chineses no Brasil e da nova política para os satélites Cbers deverão ser estabelecidos pelo Inpe e pela Cresda nos próximos meses. Enquanto no Brasil a distribuição das imagens do CBERS também cabe ao Inpe, na China a responsabilidade é da Cresda (China Centre for Earth Resources Satellites and Applications).

Sobre o Programa Cbers

Com o Cbers (China-Brazil Earth Resources Satellite) o Brasil passou a dominar a tecnologia para o fornecimento de dados de sensoriamento remoto. Até então, o país dependia exclusivamente de imagens fornecidas por equipamentos estrangeiros. A cooperação entre cientistas brasileiros e chineses no desenvolvimento de tecnologias espaciais resultou nos satélites Cbers-1 e Cbers-2, lançados respectivamente em 1999 e 2003 e atualmente inoperantes, e no Cbers-2B, colocado em órbita em setembro de 2007 e responsável por enviar imagens para as mais diversas aplicações, como monitorar desmatamentos e a expansão da agropecuária.

Desde a assinatura do acordo de cooperação, em 1988, Brasil e a China já investiram cerca de US$ 350 milhões e atualmente o Brasil é um dos maiores distribuidores de imagens orbitais do mundo. Numa iniciativa pioneira, a política de acesso livre às imagens do satélite Cbers tem levado outros países, como os Estados Unidos, a disponibilizar dados orbitais de média resolução.

Para garantir o fornecimento ininterrupto de dados aos milhares de usuários conquistados pelo Cbers, o Brasil precisa manter e ampliar seu programa de satélites de observação da Terra. Estão programados os lançamentos de mais dois satélites (Cbers-3 e 4) em 2011 e 2014. E já se discute com a China o desenvolvimento de outros dois.

Além do fornecimento gratuito de imagens de satélite, que contribuiu para a popularização do sensoriamento remoto e para o crescimento do mercado de geoinformação brasileiro, o Programa Cbers promove a inovação na indústria espacial nacional, gerando empregos em um setor de alta tecnologia fundamental para o crescimento do País.

O Programa Cbers é um exemplo bem-sucedido de cooperação Sul-Sul em matéria de alta tecnologia e é um dos pilares da parceria estratégica entre o Brasil e a China. O Cbers é hoje um dos principais programas de sensoriamento remoto em todo o mundo, ao lado do norte-americano Landsat, do francês Spot e do indiano ResourceSat.

A missão de desenvolver e construir satélites no Brasil cabe ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. Na China, o programa está sob a responsabilidade da Chinese Academy of Space Technology (CAST).

Imagens gratuitas

O Cbers fez do Brasil um dos maiores distribuidores de imagens de satélite do mundo. Além dos usuários brasileiros, as imagens Cbers são fornecidas gratuitamente para todo e qualquer usuário. Os países da América do Sul que estão na abrangência das antenas de recepção do Inpe em Cuiabá (MT) são os mais beneficiados por esta política. O download gratuito das imagens é feito a partir do site do Inpe: www.inpe.br

Com o Cbers, Brasil e China passaram produzir dados e imagens de seus territórios a custo reduzido. As informações ajudam na formulação de políticas públicas em áreas como monitoramento ambiental, desenvolvimento agrícola, planejamento urbano e gerenciamento hídrico.

Desde junho de 2004, quando ficaram disponíveis na internet, mais de meio milhão de imagens já foram distribuídas para cerca de 20 mil usuários, em mais de duas mil instituições públicas e privadas, comprovando os benefícios econômicos e sociais da oferta gratuita de dados. Em média, têm sido registrados diariamente 750 downloads no Catálogo Cbers.

Na China, após a adoção de uma política similar à brasileira, foram distribuídas mais de 200 mil imagens, sendo o Ministério da Terra e de Recursos Naturais seu principal usuário.

Recentemente, Brasil e China decidiram oferecer gratuitamente as imagens do Cbers para todo o continente africano. A distribuição das imagens vai contribuir para que governos e organizações na África monitorem desastres naturais, desmatamento, ameaças à produção agrícola e riscos à saúde pública.

Investimento

O acordo de cooperação firmado em 1988 previa que 70% do custo do programa caberia à China e 30%, ao Brasil. Isto significou investimento nacional de US$ 118 milhões nos Cbers-1 e 2, e outros US$ 15 milhões no Cbers-2B, que teve custo menor por utilizar equipamentos e peças remanescentes do Cbers-2. No total, foram investidos cerca de US$ 350 milhões pelos dois países.

Em 2002, quando foi assinado o acordo para a continuação do programa e a construção dos Cbers-3 e 4, estabeleceu-se uma nova divisão de responsabilidades técnicas e financeiras entre o Brasil e a China – 50% para cada país. Nestes satélites o Brasil está investindo cerca de US$ 150 milhões.

Usuários

Além do conhecimento tecnológico, o programa espacial também traz benefícios sociais. As aplicações das imagens obtidas a partir dos satélites Cbers são as mais variadas, desde mapas de queimadas e desflorestamento da região amazônica, até estudos na área de desenvolvimento urbano nas grandes capitais do País.

Entre os usuários destacam-se órgãos como Petrobras, IBGE, Incra, Embrapa, Ibama e ANA, organizações não-governamentais e empresas de geoprocessamento. O IBGE, por exemplo, usa os dados para atualizar seus mapas em projetos de sistematização do solo, assim como o Incra emprega as imagens nos processos ligados à reforma agrária. As aplicações no setor agrícola e de monitoramento ambiental costumam causar maior impacto econômico e social devido às dimensões continentais do Brasil. Sem uma ferramenta acessível, vigiar um território tão extenso seria quase impossível.

O Catálogo de Imagens é a interface do sistema com os usuários. Acessado através da Internet (http://www.dgi.inpe.br/CDSR/), permite a consulta e solicitação do acervo de imagens disponíveis. As imagens solicitadas são enviadas em poucos minutos, também pela Internet.

Características dos satélites

Os Cbers-1 e 2 são idênticos em suas constituições técnicas, missão no espaço e em suas cargas úteis (equipamentos que vão a bordo, como câmeras, sensores e computadores, entre outros voltados para experimentos científicos). Os satélites foram dimensionados para atender às necessidades da China e do Brasil, mas também para permitir o ingresso de ambos os países no emergente mercado de imagens orbitais até então dominado pelos que integram o bloco das nações desenvolvidas.

Os dois primeiros Cbers tinham três câmeras: CCD (Câmera Imageadora de Alta Resolução), WFI (Câmera Imageadora de Largo Campo de Visada) e IRMSS (Imageador por Varredura no Infravermelho).

No Cbers-2B foi colocada uma câmera de alta resolução pancromática, a HRC, que produz imagens com 2,7 metros de resolução espacial, em substituição ao IRMSS, e foram mantidas as câmeras CCD, de resolução espacial de 20 metros, e WFI, com 260 metros de resolução.

Para os Cbers 3 e 4, a evolução será mais significativa, e tanto os imageadores como a própria estrutura do satélite serão mais sofisticados. Nestes, serão utilizadas no módulo carga útil quatro câmeras com desempenhos geométricos e radiométricos melhorados. A órbita dos dois satélites será a mesma que a dos Cbers-1, 2 e 2B.

Catálogo de Imagens: http://www.dgi.inpe.br/CDSR/